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Temporada 2006 da Companhia Nacional

Temporada 2006 da Companhia Nacional

Na conferência de imprensa de apresentação da Temporada 2006 da Companhia Nacional de Bailado (CNB), o director artístico Mehmet Balkan justificou a diversificação dos estilos incluídos no programa "para agradar a vários públicos".

Agência LUSA /

"Isto é o que as companhias nacionais fazem no estrangeiro e é o que pretendemos continuar a fazer, apresentando desde o bailado clássico, o neo-clássico e o contemporâneo", sustentou.

Em Dezembro deste ano e em Janeiro de 2006, a companhia, conforme foi já anunciado, apresentará D. Quixote, com coreografia do director artístico e música de Ludwig Minkus.

Em Março e Abril os bailarinos da CNB interpretam coreografias contemporâneas como "Return to a Strange Land" de Jiri Kylian, "Por vos Muero", de Nacho Duato, e "Kazimir`s Colours" de Mauro Bigonzetti.

O registo muda para os clássicos em Maio e Junho, com a apresentação de "Giselle", com coreografia de Georges Garcia, e em Outubro e Novembro, a "Sagração da Primavera", com coreografia de Vaslav Nijinsky, e "Pássaro de Fogo", de Uwe Scholz, terminando o ano com "O Lago dos Cisnes", com coreografia de Mehmet Balkan, apresentações que continuam em Janeiro de 2007.

A directora da instituição, Ana Pereira Caldas referiu que este ano existem condições para a CNB actuar no estrangeiro e essa internacionalização começará por Espanha, estando previstas actuações em Biarritz, Palma de Maiorca, Bilbau e Barcelona.

A nível nacional, a CNB passará pelo Porto, Aveiro, Guarda, Figueira da Foz, Castelo Branco, Beja, Faro e São Miguel, e participará ainda na ópera Lauriane, de Augusto Machado, a decorrer no Teatro Nacional de São Carlos, de 22 a 30 de Abril.

Ana Pereira Caldas congratulou-se com o aumento do público nos espectáculos do Teatro Camões, que registaram 20.961 espectadores em 2001 e 44.500 este ano, prevendo-se que até ao final de 2005 se atinjam os 50 mil espectadores.

"Este espaço vai assumir-se cada vez mais como uma casa da dança", salientou Ana Pereira Calda, referindo-se ao convite feito a Mark Deputter para programador cultural do Teatro Camões.

Desde 2003 que a gestão e programação do Teatro Camões foram entregues à CNB e o passivo, no valor de 2,7 milhões de euros, foi sanado este ano, segundo o secretário de Estado da Cultura, Mário Vieira de Carvalho.

O espaço passa a ter um projecto cultural próprio concentrado na dança que deverá abranger várias iniciativas.

A companhia não vai receber em 2006 verbas do Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC), segundo a directora, mas o seu orçamento aumentou de 3,8 milhões de euros em 2005 para 5,3 em 2006.

Ana Pereira Caldas observou que o percurso da CNB deverá manter-se nos mesmos moldes e, questionada sobre se sentiria o "peso" da responsabilidade pelo desaparecimento do Ballet Gulbenkian este ano, comentou: "Não vamos substituir uma companhia que foi extinta, mas podemos colmatar essa falta diversificando a oferta".

Para a responsável, a extinção do Ballet Gulbenkian, criado há 40 anos pela Fundação com o mesmo nome, "foi incompreensível".

Mark Deputter falou dos seus projectos para o Teatro Camões, defendendo que este espaço poderá ser "a concretização de um sonho de criar uma casa que funcione como um centro de dança onde se promova o debate e a reflexão".

"As pessoas têm geralmente a ideia de que a dança ou é uma arte menor, apenas de entretenimento, ou uma arte elitista, o que não corresponde à realidade", disse.

Adiantou que pretende trabalhar, para já, com as parcerias que existem na CNB, procurando integrar gradualmente os seus projectos, que passam sobretudo pela aposta na co-produção com estruturas de dança já existentes.

"Existem muitos criadores em Portugal, mas poucas companhias de dança. Os criadores não têm condições para ter um trabalho regular e de continuidade e as co-produções poderiam proporcionar isso, em vez dos artistas ficarem à espera de receber pequenos subsídios", afirmou.

Contudo, Mark Deputter indicou que essa é uma ideia para levar a cabo só em 2007.

Para o próximo ano estão previstas iniciativas como o acolhimento do alkantara festival, um festival internacional de artes performativas que decorrerá em vários espaços culturais de Lisboa, em Junho.

O Teatro Camões também vai convidar escolas de formação profissional de dança do país para apresentar trabalhos de fim de curso em Julho e em Setembro o público mais jovem terá a possibilidade de ver criadores nacionais e internacionais, workshops e debates no Ciclo "Let`s Dance".

Outra ideia delineada já para 2006 por Mark Deputter é o ciclo "Como tu e eu", um projecto que terá lugar em Novembro com espectáculos de artistas não profissionais, nomeadamente de trabalhos com idosos, jovens, pessoas com deficiências e reclusos.

O secretário de Estado da Cultura, Mário Vieira de Carvalho aplaudiu este tipo de iniciativas porque "são oportunidades pioneiras de usar a cultura para promover a inclusão social".

A partir de quinta-feira, a CNB irá colocar à venda um conjunto de novos produtos criados a partir de materiais usados em espectáculos e que foram reciclados em forma de malas, bolsas e outros artigos.

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