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Temporada de artes performativas do Festival de Veneza com 158 eventos e 470 artistas

Temporada de artes performativas do Festival de Veneza com 158 eventos e 470 artistas

A edição deste ano de artes performativas da Bienal de Veneza abre a temporada de artes performativas a 07 de junho, contando com 158 eventos e 470 artistas para os festivais de Dança, Música e Teatro, foi hoje anunciado.

Lusa /
Stefano Rellandini - Reuters

Até 01 de agosto, decorrerão a 54.ª edição do Festival Internacional de Teatro (de 07 a 21 de junho), dirigida por Willem Dafoe, e a 20.ª edição do Festival Internacional de Dança Contemporânea, sob a direção de Sir Wayne McGregor (de 17 de julho a 01 de agosto).

O 70.º Festival Internacional de Música Contemporânea, dirigido por Caterina Barbieri, terá lugar de 10 a 24 de outubro.

Ao todo, este ano, foram submetidas 1.841 candidaturas provenientes de 48 países diferentes, para os concursos destinados a encenadores e dramaturgos, para coreógrafos e bailarinos, e para compositores, artistas sonoros e intérpretes musicais.

Durante a apresentação da programação, Pietrangelo Buttafuoco, presidente da Bienal de Veneza, destacou que "dança, música e teatro são linguagens que se manifestam no tempo e na presença, definindo-se na relação do aqui e agora entre artista e público".

Para Wayne McGregor, "a dança convida-nos a reconsiderar a natureza do tempo"; para Caterina Barbieri, "a música reconduz-nos à escuta primordial de onde tudo emerge"; para Willem Dafoe, "o teatro leva-nos de volta à verdade do encontro humano".

Sob o tema "Alter Native", o Festival Internacional de Teatro apresenta mais de 200 artistas em 55 eventos, incluindo 10 estreias mundiais, duas europeias e quatro italianas, anunciou o ator e criador norte-americano Willem Dafoe.

Entre os destaques estão "Cries", de Christos Stergioglou e Alexandros Drakos Ktistakis, inspirado na poesia do grego Giorgos Seferis e na tragédia de Eurípides, e a trilogia poética "Romance familiare", do albanês Mario Banushi, que explora ritos ancestrais e memórias de infância, transformando experiências pessoais em poesia universal.

O japonês Satoshi Myiagi leva a Veneza "Mugen Noh Othello", um espetáculo que reinventa o "Otelo", de Shakespeare, através do ritual do teatro Mugen Noh, enquanto a companhia indonésia Bumi Purnati apresenta "Under the Volcano" e "Hikayat Perahu / The Tale of Boat", inspiradas em tradições de Java.

Da Índia, Sharmila Biswas leva a dança Odissi em "Mischief Dance: A Journey Through Rhythm and Spirit", e o neozelandês Lemi Ponifasio cria, em "Star Returning: Venice", uma obra que cruza culturas aborígenes do Pacífico e da América do Sul.

O festival inclui ainda a estreia italiana de "Hewa Rwanda -- Letter to the Absent", do escritor, ator, bailarino e diretor ruandês Dorcy Rugamba, bem como produções italianas, como "I fantasmi di Basile", de Emma Dante, e "Promemoria", de Davide Iodice.

O programa do festival promove ainda a formação de jovens artistas através do Biennale College Teatro e das escolas de teatro de Milão, Veneza e Nápoles, com residências, `workshops` e encontros com encenadores e dramaturgos internacionais, reforçando o compromisso da Bienal com a renovação das linguagens teatrais e a internacionalização de novos talentos.

Quanto ao Festival Internacional de Dança Contemporânea, que se apresenta com o título "Time Does Not Exist", reúne mais de 150 artistas em cerca de 60 eventos, apresentando nove estreias mundiais.

Entre os destaques estão o Bangarra Dance Theatre (Leão de Ouro de carreira), primeira companhia australiana composta exclusivamente por dançarinos aborígenes, e a bailarina, coreógrafa, diretora e ativista Mamela Nyamza (Leão de Prata) com a sua companhia homónima, para apresentarem estreias europeias, anunciou o coreógrafo britânico Wayne McGregor.

O israelita Emanuel Gat leva à cena a obra "Five Days in the Sun", inspirada na quinta Sinfonia de Mahler, enquanto a artista performativa japonesa Eiko Otake e a coreógrafa e bailarina chinesa Wen Hui exploram as marcas da guerra e das crises globais na memória do corpo, acrescentou o responsável, lamentando que "80 anos depois da Segunda Guerra Mundial, ainda temos guerras".

A programação conta ainda com a participação da bailarina norueguesa Elle Sofe Sara, que revisita a história e a cultura Sami, e da franco-malagaxe Soa Ratsifandrihana, que trabalha com a diáspora haitiana, martinicana e guadalupense em "Fampitaha, fampita, fampitàna".

Veneza recebe também libanês Omar Rajeh, nome forte da dança contemporânea, que explora a dança como território coletivo em "Dance People", enquanto artistas como Andrea Salustri, Oli Mathiesen, Adam Linder e o coletivo Winndance apresentam obras experimentais que cruzam dança, teatro e performance.

Por sua vez, a coreógrafa norte-americana Molissa Fenley vai apresentar-se com um triplo papel: como autora da peça "State of Darkness", que será apresentada por Cassandra Trenary, como autora e intérprete do solo "Bardo", concebido para Keith Haring, e como orientadora dos jovens do Biennale College, que reúne bailarinos e coreógrafos de diversas nacionalidades, promovendo residências, `workshops` e a criação de novas obras.

No que diz respeito ao festival de música contemporânea, que decorrerá entre 10 e 24 de outubro sob o tema "A Child of Sound", contará, entre os mais de 130 artistas previstos em 40 eventos, com a participação dos portugueses Lara Dâmaso, Nídia, Dj Firmeza e Helviofox.

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