Thomas Bernhard, "irónico e mordaz apaixonado por Portugal", celebrado no sábado
Almada, 10 nov (Lusa) -- José António Palma Caetano traduziu "cerca de uma dezena" de obras do austríaco Thomas Bernhard -- um "irónico e mordaz apaixonado por Portugal" -- e vai a Almada no sábado para contar o que é que neste país encantou o escritor.
O Teatro Municipal de Almada (TMA) e a Embaixada da Áustria assinalam no sábado, a partir das 18:00, os 80 anos do nascimento de Thomas Bernhard. O tradutor das suas obras para português, Palma Caetano, contou à agência Lusa que a comunicação que vai apresentar no colóquio vai debruçar-se sobre o encanto que as coisas comuns de Portugal tiveram para o autor.
"Bernhard era um apaixonado por Portugal, por contraponto à Áustria, seu país natal, que criticava muito e com muito exagero. Era apaixonado pela comida portuguesa, pelos restaurantes -- mesmo os mais simples -- pelos hotéis, sobretudo os luxuosos -- e pela maneira de ser das pessoas", afirmou o tradutor.
Palma Caetano contou que foi por razões de saúde que o escritor veio a Portugal, "como ia a Itália ou a Espanha, porque o clima era mais ameno". Mas, acrescentou, "sobretudo depois da revolução de 1974", que depôs a ditadura, "vinha ao país com mais frequência e por períodos mais alargados", e isso, disse o tradutor, reflecte-se na sua obra.
"Ele gostava imenso de Portugal e parece que arranjava sempre maneira de fazer qualquer referência ao país, estabelecer qualquer relação nas suas obras. A peça "O Presidente" [apresentada no TMA em 2008], por exemplo, passa-se em parte em Portugal, no Estoril, onde ele esteve, mas ainda no tempo da ditadura", acrescentou.
Esta peça integra o conjunto de leituras encenadas que vão ter lugar a partir das 21:30 no Teatro de Almada.
Mónica Calle, diretora da Casa Conveniente, apresenta "Minetti", Luís Vicente, diretor da ACTA -- A Companhia de Teatro do Algarve, interpreta um excerto da peça "O presidente" e vai ser exibida uma projeção em vídeo de "O fazedor de teatro", com atuação de Morais e Castro e encenação de Joaquim Benite, uma produção da Companhia de Teatro de Almada estreada em 2004.
"O Presidente", explicou o tradutor, "é um elo importante na relação de Bernhard com Portugal". Mas aquilo que promete no sábado "é uma comunicação que foge um pouco à importância literária das referências, mas que se foca no que representa para Portugal o interesse deste austríaco no país, nas coisas que ele aqui encontrou e na forma como refletiu isso na sua obra", acrescentou.
Durante a tarde vão também intervir Alfred Pfabigan, professor da Universidade de Viena, sobre a relação de amor/ódio que o escritor acabou por criar com a Áustria, e Peter Hanenberg, professor associado da Universidade Católica Portuguesa, sobre a importância do autor austríaco no teatro de língua alemã e na germanística.
Thomas Bernhard nasceu na Holanda em 1931. Morreu em 1989, em Ohlsdorf. No testamento deixou expressa a proibição da representação das suas peças em solo austríaco. Escreveu 19 novelas, 17 peças de teatro e vários textos autobiográficos.