Tiago Bettencourt mostra em Outubro o primeiro álbum pós-Toranja
O músico português Tiago Bettencourt edita em Outubro o álbum "Jardim", um disco que surge num tempo de pausa dos Toranja e que foi composto e gravado entre Lisboa e Montreal, no Canadá.
"Jardim" é o primeiro álbum que Tiago Bettencourt edita fora dos Toranja e para o qual convocou os músicos Pedro Gonçalves (contrabaixo) e João Lencastre (bateria), apelidados de Mantha.
O disco foi gravado no estúdio Hotel2Tango, em Montreal, e produzido pelo músico canadiano Howard Bilerman, que já trabalhou com os Arcade Fire e com os Goodspeed You! Black Emperor.
Foi a primeira vez que Tiago Bettencourt gravou fora de Portugal, num ambiente em estúdio completamente diferente do vivido com os Toranja.
Passou quase dois meses em estúdio a burilar as canções do novo trabalho, com a ajuda de Howard Bilerman, que lhe imprimiu uma sonoridade "mais intuitiva e menos mecânica", como explicou o músico a agência Lusa.
"Estávamos à procura de uma coisa com emoção, queríamos aproveitar o erro, ou melhor, buscar a perfeição através do erro", sublinhou Tiago Bettencourt.
O tempo vivido em Montreal e esse lado orgânico do método de trabalho em estúdio explicam também o título do álbum.
A capa de "Jardim" apresenta detalhes de um mural feito por crianças de uma escola infantil que estava próxima do estúdio e em todas as canções há referências diversas à temática da natureza.
Nos dois meses passados em Montreal, Tiago Bettencourt encontrou uma outra maneira de encarar a música.
"É uma cidade muito jovem, há música por todo o lado, toda a gente toca um instrumento muito bem e tenta subverter o que já existe. E isso não há muito por aqui, porque toda a gente está acomodada à facilidade de fazer um `hit´", constatou o autor.
Para Montreal, Tiago Bettencourt levou 14 músicas, todas elas cantadas em português, entre as quais "Voo", "O jogo", "Outono", "O lugar", ou "Canção simples", e onde pontuam violinos discretos, palmas, vozes distorcidas, guitarras sobrepostas e melodias ao piano.
Algumas delas foram escritas quando os Toranja andavam na estrada, mas sobreviveram e mantiveram identidade para lá destes "gomos musicais": "Eu sou compositor seja ou não dos Toranja", defende Tiago Bettencourt.
Sendo o primeiro álbum pós-Toranja - sem que se perceba se o grupo acabou ou está em período sabático - Tiago Bettencourt fala em ruptura e continuidade.
"Existe sempre continuidade porque as músicas e as letras são minhas, mas há ruptura porque são muito influenciadas pelas pessoas com quem estou a tocar. E é completamente diferente tê-las tocadas pelos Toranja ou pelos Mantha", referiu o músico.
Tiago Bettencourt diz detestar a expressão "projecto a solo", porque de facto se apresenta com uma outra formação, mas compreende que são inevitáveis as comparações com os Toranja.
"Eu adorava que as pessoas ouvissem o álbum como se nunca tivessem ouvido mais nada antes", diz.
"Jardim" sai a 01 de Outubro e será apresentado três dias depois no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, no primeiro de uma série de concertos em pequenos auditórios.
Ao vivo, Pedro Gonçalves, uma das metades dos Dead Combo, será substituído no contrabaixo por Tiago Maia.