TNDM reabre em setembro com três dias de festa após três anos de requalificação

TNDM reabre em setembro com três dias de festa após três anos de requalificação

O Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, reabre a 18 de setembro, após três anos de obras de requalificação, com um programa festivo de três dias, que inclui a apresentação de "Macbeth" e um `videomapping` ao ar livre.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

O Teatro Nacional D. Maria II (TNDM) prepara-se para reabrir o seu edifício histórico no Rossio, em Lisboa, depois de ter estado três anos encerrado para obras, com um programa cultural de grande escala que vai de setembro de 2026 até julho de 2027, e que articula espetáculos, festivais, projetos participativos, iniciativas educativas e ações de acessibilidade, foi hoje anunciado.

De acordo com a programação, hoje apresentada, a reabertura oficial do teatro será assinalada com três dias de celebrações na cidade, incluindo espetáculos, música, `videomapping`, visitas guiadas e eventos na via pública.

Assim, o ponto alto da reabertura acontece entre 18 e 20 de setembro, com programação gratuita e acesso mediante levantamento de ingresso, sendo o espetáculo "Macbeth", de William Shakespeare, com encenação de Pedro Penim, diretor artístico do TNDM, um dos destaques.

No exterior, a Praça D. Pedro IV transforma-se numa plateia e a fachada do teatro num palco para projeção do espetáculo de `videomapping` "Hélice do Tempo", concebido como uma viagem pela história do teatro ao longo de 180 anos, combinando projeção, som e arquivo histórico.

A programação festiva inclui atuações de DJ, como ZenGxrl, Beatbombers e DJ Marfox, que prometem "pôr o público a dançar", bem como visitas guiadas ao edifício renovado e o lançamento de uma nova edição de "Macbeth".

Além da festa de reabertura, o TNDM apresenta uma programação que se estende ao longo de vários meses e que aposta na diversidade artística e na acessibilidade.

Os espetáculos previstos incluem clássicos revisitados, como "Auto da Barca do Inferno", de Gil Vicente, e "As Suplicantes", de Ésquilo; teatro documental, de que é exemplo "Habitar", de André Amálio e Tereza Havlícková (do Hotel Europa); e teatro do absurdo, como "A Cantora Careca", de Eugène Ionesco, com encenação de Beatriz Batarda.

Quanto a projetos internacionais, o TNDM apresenta espetáculos como "Barber Shop Chronicles", de Inua Ellams, um olhar sobre masculinidades negras contemporâneas através de seis barbearias; "Quando vi o mar", de Ali Chahrour, dedicado a trabalhadoras domésticas migrantes no Líbano, hoje mais vulneráveis devido à guerra; e "Al-Sirah Al-Hilaliyyah ou A Epopeia dos Bani Hilal", de Bashar Murkus e Khulood Basel, do Khashabi Theatre Palestine, uma lendária saga árabe, transmitida oralmente desde o século XIV.

Segundo a informação do teatro, esta peça é frequentemente apelidada de "Ilíada árabe", atravessou os séculos, mas hoje corre o risco de desaparecer, preservada apenas por um punhado de poetas do Egito.

Os espetáculos performativos "Memorial", "Cinderela", "Romance" e "Dressing Room", de Lígia Soares, assim como "Blackface", espetáculo a solo, escrito e encenado por Marco Mendonça, uma conferência musical, que se situa entre o `stand up` e a fantasia, a sátira e o teatro físico, o burlesco e o documental, são outras propostas do TNDM.

Grande parte destes espetáculos, que atravessam temas como identidade, racismo, migração, história colonial e experiências pessoais, será acompanhada por medidas de acessibilidade, incluindo Língua Gestual Portuguesa (LGP), audiodescrição (AD) e legendagem.

As sessões decorrem em diferentes horários e formatos, incluindo matinés, sessões escolares e apresentações para público geral.

O programa inclui ainda iniciativas de inclusão social e participação comunitária, centradas principalmente em comunidades migrantes, jovens e públicos em situação de vulnerabilidade, como é o caso do ATOS, que promove práticas artísticas participativas em vários municípios, e o projeto "Ocupar o Centro", que visa reforçar a presença de artistas com deficiência na criação contemporânea.

A dimensão participativa estende-se ainda a residências artísticas, oficinas, debates e conversas com criadores, reforçando o papel do teatro enquanto espaço de mediação cultural.

Outro dos destaques da programação é a realização em Portugal da edição 2026 da "École des Maîtres", um projeto internacional de formação teatral que reúne jovens artistas europeus entre os 24 e os 34 anos.

A edição será orientada pela encenadora Nathalie Béasse, com o `workshop` "Epopeias íntimas", centrado na experimentação teatral, no cruzamento de linguagens e na relação entre texto, corpo e língua.

O programa inclui ainda exposições, projetos de arquivo e publicações que procuram revisitar a história do teatro e da cidade, de que é exemplo a mostra "180 anos do Teatro D. Maria II", que apresenta fotografias, documentos, figurinos, trajes, cartazes e programas de espetáculos, atravessando diferentes momentos da história do teatro até ao presente.

Estão também previstas visitas guiadas ao edifício renovado, que incluem passagem pela exposição.

O TNDM vai ainda lançar publicações dedicadas a dramaturgos clássicos e contemporâneos, entre as quais novas traduções de Shakespeare e estudos sobre autores portugueses como Gil Vicente, bem como biografias e ensaios sobre o património teatral nacional.

A vertente educativa assume igualmente um papel de relevo na programação, com espetáculos dirigidos a escolas e comunidades, como "Auto da Barca do Inferno" e "Isto é o fim?", e oficinas e projetos de criação com jovens.

O Festival Panos está de volta, assim como outras iniciativas de dramaturgia juvenil, para o qual o TNDM encomendou três textos originais a Alice Azevedo, Marco Mendonça e Ricardo Correia.

O Teatro D. Maria II vai manter igualmente a sua colaboração com os festivais de Almada e FIMFA LX - Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas.

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