Três concertos no Festival SBSR para mais tarde recordar
Arcade Fire, Interpol e Metallica protagonizaram os melhores momentos do 13º Festival Super Bock Super Rock (SBSR) que terminou quinta-feira no Parque Tejo, Loures, e por onde passaram quase 30 bandas, do metal ao indie rock.
Os norte-americanos veteranos do heavy metal Metallica, cabeças-de-cartaz do arranque do festival, no dia 28 de Junho, levaram ao Parque Tejo perto de 40 mil pessoas, naquela que foi a maior enchente dos quatro dias do SBSR.
No segundo acto do evento, entre terça e quinta-feira, os canadianos Arcade Fire foram os mais celebrados, num concerto marcado pela entrega da banda de Win Butler e Régine Chassagne na apresentação do segundo álbum, "Neon Bible".
Num estado de quase euforia e de total entrega em palco, a banda conseguiu na terça-feira pôr os cerca de 20 mil espectadores a cantar em uníssono praticamente todos os temas interpretados ao longo de pouco mais de uma hora de concerto, num cenário enquadrado pela réplica de um órgão de tubos.
Horas antes, actuaram os britânicos Bloc Party que, sem perderem muito tempo, mostraram em canções curtas e rápidas os álbuns "Silent alarm" e "A weekend in the city", que já tinham tocado no Coliseu de Lisboa a 18 de Maio.
A surpresa do dia coube aos Magic Numbers, que revelaram uma pop solarenga e melódica em estreia em Portugal.
Na quarta-feira, apesar da expectativa criada em torno do regresso dos Jesus & Mary Chain, o momento alto surgiu no final da noite, com o norte-americano James Murphy, à frente dos LCD Soundsystem.
Os Jesus & Mary Chain desfiaram de forma monótona e com grandes deficiências de som 20 anos de carreira, sem conseguirem entusiasmar o público, na noite mais ventosa do festival.
O ambiente só aqueceu com o dance-punk dos LCD Soundsystem, por culpa de uma prestação enérgica e desenfreada de James Murphy, que pôs a audiência a vibrar.
Com o cancelamento do concerto dos The Rapture, as estreias do dia ficaram por conta dos norte-americanos mais que independentes Clap Your Hands Say Yeah e dos britânicos Maximo Park, com Paul Smith a deter o título do vocalista mais comunicativo do cartaz.
Na quinta-feira, último dia do festival, os nova-iorquinos Interpol, pela primeira vez em solo português, não precisaram de grandes rodeios para conseguir as maiores ovações da noite.
As canções dos dois primeiros álbuns, "Turn on the bright lights" e "Antics", e a breve apresentação de "Our love to admire", a editar segunda-feira, foram suficientes para mobilizar a audiência para a música destes discípulos dos Joy Division.
Na invasão norte-americana registada no derradeiro dia do SBSR, os Scissor Sisters mostraram de que é feito o glam pop revivalista, enquanto os TV on the Radio recordaram, em estreia em Portugal, que o último álbum, "Return to cookie mountain" foi eleito um dos melhores de 2006.
The Gossip, liderados pela carismática e irreverente Beth Ditto, não se intimidaram com a luz do dia e apresentaram, com muito boa receptividade, o álbum "Standing in the way of control".
Com os concertos todos concentrados num só palco, as bandas portuguesas, entre elas os Micro Audio Waves, The Gift, Linda Martini e Men Eater, saíram prejudicadas desta edição do festival, já que actuaram sempre no início de cada um dos quatro dias, com a ingrata tarefa de aquecer a audiência.
Contas feitas, a organização do SBSR sublinhou à agência Lusa a "excelente reacção do público e o ecletismo do cartaz".
Jwana Godinho, da promotora Música no Coração, não revelou números sobre a adesão ao festival, preferindo destacar a consistência do cartaz deste ano e a aposta no "rock mais emergente".
"Este é um festival citadino e queremos manter esta consistência, com um lado mais pesado, com o metal, e com outros nomes do rock mais actual", referiu a responsável.
A edição de 2008 ainda não tem data marcada, mas é garantido que decorrerá novamente no Parque Tejo, junto ao Parque das Nações.