Cultura
Túmulo em Luxor com 3500 anos. Restauro revela pinturas egípcias da XVIII Dinastia
Diversas pinturas do Antigo Egito tornaram-se novamente visíveis após a conclusão de trabalhos de restauro no túmulo de Samut localizado na necrópole de El Khokha, na margem ocidental do Nilo, em Luxor. Os frescos que decoram as paredes do complexo ilustram cenas da vida quotidiana, práticas funerárias e elementos religiosos da civilização egípcia de há cerca de 3500 anos.
Os túmulos de Amenhotep Rabuia e do filho Samut, datados da XVIII Dinastia do Egito Antigo, apresentam-se como um exemplo significativo da arte funerária deste período, apesar de ter ficado inacabado.
A estrutura segue a planta em “T” típica dos túmulos privados do Novo Reino associado aos reinados dos faraós Tutmés III e Tutmés IV.
O projeto de restauro assume particular relevância ao permitir não apenas a recuperação material das estruturas, mas também a sua interpretação científica e acessibilidade pública.
Os túmulos TT416 e TT417O projeto de re foram descobertos em 2015 e estão a ser preparados para visitas públicas após restauro | Mohamed Abd El Ghany - Reuters
Ao revelar novamente pinturas com mais de três mil anos, a intervenção contribui para aprofundar o conhecimento sobre as práticas sociais e crenças funerárias do Egito faraónico, ao mesmo tempo que reforça a estratégia de valorização do património cultural e de diversificação da oferta turística em Luxor.
A necrópole de El Khokha situa-se na margem oeste de Luxor, uma área rica em túmulos de altos funcionários do Antigo Egito.
Foto: Mohamed Abd El Ghany - Reuters
As cenas pintadas incluem agricultura, rituais funerários e representações simbólicas religiosas típicas do Novo Reino | Mohamed Abd El Ghany - Reuters
As paredes apresentam cenas acompanhadas por inscrições explicativas que descrevem atividades como agricultura, armazenamento de cereais, panificação e produção artesanal.
Túmulos de pai e filho
No âmbito deste projeto, o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito reabriu oficialmente dois túmulos restaurados — o de Amenhotep Rabuia (TT416) e o do seu filho Samut (TT417) — encerrados desde a sua descoberta em 2015.
Ambos conservam pinturas do Novo Reino, agora visíveis graças a um processo de conservação que combinou estabilização estrutural, remoção de detritos acumulados e técnicas avançadas de limpeza destinadas a recuperar as cores originais e a legibilidade das superfícies explicou a equipa responsável pela intervenção à Reuters.
Foto: EPA
Entre as inscrições encontradas no túmulo de Amenhotep‑Rabuia (TT416), foram identificados fragmentos de um texto biográfico, típico dos espaços funerários deste periodo, onde o proprietário apresentava a sua identidade e funções, descrevem os arqueólogos.
Esse tipo de inscrição incluía, de acordo com os paralelos conhecidos, o nome, títulos e estatuto social — neste caso, relacionado com funções ligadas ao culto de Amon (porteiro do templo). Contudo, o estado de conservação faz com que o texto esteja apenas parcialmente preservado. Estas inscrições permitem reconstruir a carreira e o estatuto do indivíduo.
O túmulo de Samut, datado da XVIII Dinastia destaca-se pela qualidade estética, cromática e pelo detalhe iconográfico.
Foto: Mohamed Abd El Ghany - Reuters
No corredor longitudinal (zona mais interna) aparecem inscrições ligadas à procissão funerária e ao ritual da “Abertura da Boca”.
Há ainda uma inscrição ligada a uma cena rara de oferenda à deusa Renenutet, associada à fertilidade e colheitas explica o Ministério.
Nas paredes podem observar-se cenas de banquete e elementos simbólicos como a falsa porta, associados à relação entre o mundo dos vivos e o além. Estes textos também fazem parte do programa funerário que assegurava a regeneração do morto.
Ao revelar pinturas com mais de três mil anos, a intervenção contribui para aprofundar o conhecimento sobre as práticas sociais e crenças funerárias do Egito faraónico.
Foto: Mohamed Abd El Ghany - Reuters
Esta intervenção integra a estratégia do Egito de reforçar o turismo cultural fora dos circuitos mais conhecidos — como o Vale dos Reis — ao mesmo tempo que preserva estruturas frágeis e pinturas murais milenares remata o Ministério de Turismo e Antiguidades.