EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

"Um homem contra-corrente que criou um mundo próprio" - Marisa Paredes, actriz

"Um homem contra-corrente que criou um mundo próprio" - Marisa Paredes, actriz

Madrid, 10 Dez (Lusa) - Manoel de Oliveira é um homem contra-corrente, um realizador exigente com quem não é fácil trabalhar e um inventor de um mundo próprio que "salta do ecrã", disse hoje à Lusa a actriz espanhola Marisa Paredes.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"Custa-me escolher entre as suas obras. Mas gosto do que caracteriza muitas delas, do seu sentido de humor, da sua lucidez, do seu sentido crítico, elementos que se projectam e saem da tela", disse em entrevista à Lusa.

Para Paredes, que interpretou o papel de freira no filme "Espelho Mágico" (2005) de Manoel de Oliveira, o realizador português é "um bom representante de Portugal" e uma "figura internacional" que continua "com grande vitalidade" a "dar e a dar obras".

Admitindo que não é um realizador fácil, Paredes sublinha porém que o marca uma exigência "que não corta a criatividade" dos restantes intervenientes nos seus filmes.

Conseguir que "todos se envolvam no filme ainda que ele seja o maestro", é claramente "uma das suas maiores forças", sublinhou.

A actriz espanhola destaca a obra em que ela própria trabalhou com Manoel de Oliveira, "uma história delirante" saída do mundo do realizador português.

"É uma história realmente delirante que contava essa ideia tão curiosa de que os ricos também choram", disse recordando que interpretou o papel de freira "com uma missão de quase Santa Teresa, a ajudar essa mulher rica".

"Tudo isso para mim foi uma experiência estupenda. Este tipo de temas, a forma como os trata, formam um mundo completo, um mundo que aos 100 anos se podem ver como uma obra completa", disse.

"Mas como tem essa vitalidade continuará a dar-nos e a dar-nos filmes extraordinários", frisou.

Sobre a obra em si, Marisa Paredes destaca o recurso de Manoel de Oliveira aos planos fixos, e a sua expressão de que se os planos não mudam e as pessoas se aborrecem, então que se vão embora.

"É talvez o que está mais próximo do teatro, por esse uso do plano fixo, dessa linguagem formal sua. Mas por outro lado vai de encontro directamente a uma grande tradição de cinema francês, ao mais vanguardista", disse.

"A forma de Manoel está muito entroncada com o texto. E sempre nos apresenta muito que tem a ver com a filosofia, com a profundidade do ser humano" disse.

Hoje Manoel de Oliviera consolida-se como "um homem que representa Portugal em festivais de cinema, em encontros onde cada vez é mais valorizado e onde a sua obra será cada vez mais valorizada.

"Mas é também uma voz internacional do cinema e mais do que uma voz um figura internacional, um mestre muito conceituado em vários espaços", sustentou.

"No que também é muito hispânico é talvez alguém que seja mais reconhecido e mais bem avaliado fora do que dentro das suas fronteiras", sublinhou.

Marisa Paredes está actualmente em digressão com a peça de teatro "Sonata de Outono", uma adaptação do clássico de Ingmar Bergman que passou por várias cidades espanholas e está actualmente em Córdova.

ASP.

Lusa/Fim


PUB