Universidade de Coimbra vai contestar recusa da abertura do túmulo de D. Afonso Henriques

Universidade de Coimbra vai contestar recusa da abertura do túmulo de D. Afonso Henriques

A antropóloga forense Eugénia Cunha anunciou que a Universidade de Coimbra (UC) vai contestar o despacho da ministra da Cultura que rejeita a abertura do túmulo de D. Afonso Henriques para fins científicos.

Agência LUSA /
Túmulo de D. Afonso Henriques DR

"Vamos reagir e contra-argumentar, rebatendo, ponto por ponto, todos os pareceres", disse a investigadora à agência Lusa.

A ministra da Cultura assinou, a 11 de Maio, o despacho em que ratifica o parecer do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), que recomendava a recusa da abertura do túmulo de D. Afonso Henriques.

De acordo com a professora da UC, que disse não ter sido ainda notificada da decisão, a contestação à recusa vai ser enviada na próxima semana à ministra da Cultura com os argumentos de natureza técnica, científica e arqueológica que, no seu entender, justificam o projecto.

"[A recusa] invalida uma oportunidade única de fazer um projecto interdisciplinar, que extravasava o interesse da comunidade científica e em que o grande público estava interessado", frisou Eugénia Cunha.

Para a docente do Departamento de Antropologia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, D. Afonso Henriques "é uma figura histórica incontornável" e, através do projecto internacional e de cariz multidisciplinar, as fontes documentais relativas ao rei fundador da nacionalidade "poderiam ser confrontadas com os seus verdadeiros vestígios".

O pedido de exumação, para fins científicos, dos restos de D.

Afonso Henriques, cujo túmulo se encontra na Igreja de Santa Cruz, em Coimbra, foi apresentado pela Reitoria da UC, dando seguimento ao projecto da antropóloga forense.

O projecto da equipa luso-espanhola liderada por Eugénia Cunha Cunha prevê o estudo das ossadas do fundador da nacionalidade e a reconstituição do seu rosto em imagens tridimensionais.

"Pretende-se reconstituir o perfil biológico do primeiro rei de Portugal, a sua estrutura física, a sua estatura, a idade que tinha quando morreu, bem como tentar deslindar algumas patologias que o afligiram e que deixaram vestígios nos seus ossos", afirmava Eugénia Cunha, numa nota divulgada em meados de 2006, quando a equipa foi impedida, pela direcção nacional do IPPAR, de abrir o túmulo, operação que fora autorizada pela direcção regional do mesmo instituto.

A datação do esqueleto, pelo método de radiocarbono, o perfil genético, a dieta do rei (através da análise química dos ossos) e a sua reconstrução facial são também abrangidos pelo projecto de investigação.

Segundo Eugénia Cunha, estes métodos têm sido utilizados em vários países em figuras como Cristóvão Colombo, Napoleão ou Mozart.

A agência Lusa tentou contactar o reitor da UC, o que ainda não foi possível por Fernando Seabra Santos se encontrar numa reunião.


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