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Universidade Nova homenageia intervenção polémica e frontal de Vargas Llosa

Universidade Nova homenageia intervenção polémica e frontal de Vargas Llosa

Lisboa, 19 jul (Lusa) -- Um dos grandes escritores sul-americanos, com uma intervenção polémica, mas frontal, sobre o mundo, é como o poeta Nuno Júdice vê o escritor Mario Vargas Llosa, que na terça-feira recebe o doutoramento "honoris causa" na Universidade Nova de Lisboa.

Lusa /

A distinção foi proposta por Nuno Júdice, enquanto professor de Línguas, Culturas e Literaturas da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, assim que teve conhecimento da deslocação a Portugal do Nobel da Literatura 2010.

"Achei que seria oportuno prestar-lhe uma homenagem e fiz a proposta ao Conselho Científico da faculdade", disse à agência Lusa, acrescentando que foi de imediato aceite pela instituição e pelo escritor.

Nuno Júdice antecipou à Lusa que fará uma intervenção sobre os vários aspetos da personalidade de Vargas Llosa, que fizeram com que tivesse conquistado o Prémio Nobel. "Por um lado, o grande escritor que é e, depois, o homem de cultura, que tem alguns ensaios notáveis sobre escritores como Victor Hugo, Flaubert, entre outros", referiu.

Júdice destacará também o outro lado de Llosa enquanto homem e cidadão: "Tem tido uma intervenção permanente em termos políticos, nos seus artigos sobre vários acontecimentos das últimas décadas no mundo, tem denunciado situações muito complicadas, desde o que se passa no mundo árabe até outras situações de ditaduras".

Para Nuno Júdice, Vargas Llosa é um homem que tem tido "uma intervenção por vezes polémica, mas frontal, porque assume as suas posições".

A "qualidade da sua obra" é nesta cerimónia o ponto central, com Nuno Júdice a destacar alguns livros que "irão ficar". Entre os vários títulos, enumerou o que considera "dois grandes romances" publicados mais recentemente -- "O Sonho do Celta" e "O Herói Discreto".

"São dois livros notáveis e isto já depois do Nobel", disse, referindo-se ao escritor como "alguém que tem uma capacidade de criação que já vem desde o início dos anos 50".

Apesar de lecionar sobretudo literatura francesa, o autor peruano é um dos escritores que o poeta e professor recomenda aos alunos.

Da obra de Vargas Llosa, Nuno Júdice gosta de aconselhar "A Guerra do Fim do Mundo".

"É um livro que indiretamente nos diz respeito, porque é um grande romance sobre uma revolta no Brasil, em 1897, que deu origem a um livro ("Os Sertões", de Euclides da Cunha) e, nesse livro, ele conta a revolta conduzida por um iluminado, enfim um profeta, que anuncia o regresso de D. Sebastião", justifica.

"É talvez o último grande assomo de sebastianismo e que não foi em Portugal, foi no Brasil", afirmou.

Vargas Llosa será homenageado também pelo seu papel na afirmação da literatura sul-americana, que até à sua geração, à exceção de Jorge Luís Borges, era pouco conhecia na Europa, notou Nuno Júdice.

"No fim dos anos 50, e depois nos 60, surge de facto uma grande geração de escritores sul-americanos e ele é dos grandes", defendeu.

O título de "Doutor Honoris Causa" será entregue na terça-feira, pelo reitor da Universidade Nova de Lisboa, António Rendas.

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