Vencedor do Prémio Leya escreveu livro quando ficou desempregado
Lisboa, 18 out (Lusa) -- O vencedor do Prémio literário LeYa, João Ricardo Pedro, manifestou hoje uma "enorme alegria" quando soube da distinção para o romance "O teu rosto será o último", livro que começou a escrever há dois anos, quando ficou desempregado.
Em declarações à agência Lusa, o autor, nascido em Lisboa, em 1973, declarou ainda que o galardão hoje anunciado pelo grupo editorial LeYa, no valor de 100 mil euros, "é um importante reconhecimento de um trabalho exaustivo".
"O teu rosto será o último" é o primeiro livro de João Ricardo Pedro, 38 anos, licenciado em engenharia eletrotécnica no Instituto Superior Técnico de Lisboa.
"Escrevi este livro há dois anos, quando fiquei desempregado", disse ainda à agência Lusa, acrescentando que vai ser um grande incentivo para continuar a escrever e que já tem novas ideias.
O romance relata a história de uma criança nascida em Portugal no período da Revolução do 25 de Abril e segue o seu percurso até aos 17 anos, acompanhada pela família.
"Esta família herdou traumas da ditadura, que se refletem no filho", apontou.
Questionado sobre se o livro reflete uma experiência pessoal do autor, João Ricardo Pedro indicou: "Há algumas semelhanças, mas não é uma autobiografia".
O Prémio LeYa foi criado em 2008 e visa distinguir um romance inédito escrito em português. Ao galardão de maior valor pecuniário em Portugal, candidataram-se 169 romances originais, segundo os números atualizados pela organização, na maioria provenientes de Portugal e do Brasil, mas também do Reino Unido, França e Itália.
O júri do Prémio LeYa é presidido por Manuel Alegre e integra ainda os escritores Nuno Júdice e Pepetela, o professor da Faculdade de Letras de Coimbra José Carlos Seabra Pereira, o reitor do Instituto Superior Politécnico e Universitário de Maputo, Lourenço do Rosário, e a crítica literária e professora da Universidade de São Paulo Rita Chaves.
Este ano o grupo de jurados integra um novo elemento, o crítico literário, escritor e jornalista brasileiro José Castello, em substituição do escritor Carlos Heitor Cony.
No ano passado, o júri decidiu, por unanimidade, não atribuir o Prémio LeYa.
Em 2008 o romance vencedor foi "O Rastro do Jaguar", do jornalista brasileiro Murilo Carvalho e, em 2009, "O Olho de Hertzog", do escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho, ambos editados com a chancela da LeYa.