"Veneno cura", de Raquel Freire, abre trilogia sobre a intimidade e o amor
Lisboa, 09 Jan (Lusa) - A longa-metragem "Veneno cura", que se estreia dia 15, é a primeira de uma trilogia que Raquel Freire preparou sobre a intimidade e o amor, obsessões de uma realizadora que sonha com as personagens que filma.
"Veneno Cura", produzido por Paulo Branco, é a segunda longa-metragem no currículo de Raquel Freire, 35 anos, sucede a "Rasganço" (2001) e foi preparado e rodado entre 2005 e 2006.
O filme que chegará às salas é a versão final, disse a realizadora em entrevista à agência Lusa, apesar de se ter falado em cortes propostos por Paulo Branco.
"O filme tem cenas muito duras, tem cenas de uma grande violência emocional", mas o "Veneno Cura" que se estreará "é o filme que quis fazer", disse Raquel Freire, que apresentou pela primeira vez o trabalho em 2008 na Mostra de Cinema de São Paulo.
"Veneno cura" é interpretado por cinco actores/performers (Sofia Marques, Margarida Carvalho, Sandra Rosado, Miguel Moreira e Gustavo Vicente), protagonistas de histórias sobre a crueza do amor, sobre os falhanços emocionais da idade adulta.
"É sobre o amor como força fundamental, não o amor formatado, muito romantizado. É sobre o amor absoluto, o amor de uma mãe por um filho, o amor entre irmãos", descreveu Raquel Freire.
As histórias de "Veneno cura" passam-se no Porto, porque era lá que estava o imaginário de Raquel Freire quando escreveu o argumento, com personagens que lhe surgiram em sonhos.
"Quando sonho, sonho com personagens. Começo a escrever e deito-me com aquelas personagens e o que surge é o inconsciente sem censura nenhuma, é muito mais livre e é assim que devia ser o nosso pensamento", defendeu.
Segundo Raquel Freire, este é o primeiro de três filmes sobre a intimidade, "a intimidade mais visceral".
O segundo, intitulado "Leis do corpo", está ainda na fase de argumento, mas Raquel Freire sabe já que contará com os mesmos actores de "Veneno Cura" em papéis secundários e ainda com Ana Brandão, a protagonista. O terceiro filme chamar-se-á "Amor Omni".
Raquel Freire também tem já pronto a estrear um outro filme de ficção, intitulado "A vida queima", rodado em digital e totalmente em auto-produção.
Em 2008 quis filmar, mas não tinha dinheiro e decidiu fazer um filme sobre isso mesmo, contando com os mesmos actores de "Veneno cura" e com Sara Castro, que mimetiza no grande ecrã a própria Raquel Freire.
"É o retrato de uma geração de pessoas e criadores que vive em Lisboa no século XXI", onde é "muito difícil ter projectos artísticos".
Há ainda o documentário "Esta é a cara que mereces", feito com apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, sobre criadores de teatro de vanguarda em Portugal, como Lúcia Sigalho, Mónica Calle e João Garcia Miguel.
Depois de estrear "Veneno cura", Raquel Freire pretende ainda editar o seu primeiro romance, com o título provisório "Obscena felicidade", que escreveu num impulso em 2008, um ano que diz ter corrido como uma maratona.
"É um livro muito político, sobre a revolução pendente que está por fazer ainda na nossa geração", disse.
SS.