Vice-presidente do ICOMOS admite existirem problemas com "Mundo do Vinho" em Gaia

| Cultura

O Conselho Nacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS) vai pronunciar-se "em breve" sobre a construção do projeto "Mundo do Vinho" previsto para Vila Nova de Gaia em 2018, tendo o vice-presidente admitido hoje a existência de problemas e preocupações.

Promovido pela The Fladgate Partnership, o projeto "Mundo do Vinho", um investimento de 100 milhões de euros, prevê estar pronto em junho de 2020 incluindo cinco museus, zona de restauração, estacionamento e exposições.

Em declarações à agência José Aguiar à margem do Fórum do Porto dedicado aos temas do Património, Cidade e Arquitetura, o vice-presidente do ICOMOS, José Aguiar revelou que a instituição irá em breve pronunciar-se "sobre se há ou não violação" da zona de proteção do Porto Património Mundial.

"Está-se a estudar este problema e, provavelmente, vai haver uma posição depois da nomeação de um grupo para o efeito", declarou hoje o especialista para quem "é preocupante a excessiva ambição de transformação que alguns desses projetos mostram".

A "violação da zona de proteção" é para José Aguiar "outro problema" porque, explicou, quando há uma classificação como património mundial "há uma zona muito restrita e à volta uma zona de proteção, e elas estão mal definidas na legislação portuguesa".

Reconhecendo haver "problemas nesta área de transição" advertiu não ser possível "numa das zonas, conservar, restaurar e manter tudo e, de repente, do lado de lá da estrada, fazerem-se arranha-céus, com edificabilidades monstruosas porque logo na relação de escalas vai haver afetação mútua entre este passado e este futuro".

"Vi algumas imagens dos projetos e pareceram-me excessivos em termos de volumetria, de formas de ocupação e de monofuncionalidade, mas é uma opinião meramente pessoal", disse de projetos que lhe parecem também "pouco compatíveis com a salvaguarda cuidadosa de um valor que é de todos e que é um património, além de nacional, mundial".

Contactada pela Lusa, Ana Margarida Morgado, relações públicas da The Fladgate Partnership que promove o projeto Mundo do Vinho, garantiu que a empresa com 325 anos é a "primeira a querer preservar o património da zona histórica de Gaia", bem como a querer "dinamizar e devolver aos habitantes do Grande Porto uma joia" ali existente.

"Esta vontade de querer o melhor para a zona histórica está bem patente na renovação das Caves Taylor`s, na preservação da sua autenticidade e no hotel Yeatman, que veio valorizar a zona de Gaia e Porto e que tem tanto sucesso que está a ser alvo de uma ampliação", assegurou a responsável.

Segundo Ana Margarida Morgado, a The Fladgate Partnership está "há três anos com a Gaiurb [Empresa Municipal] a levar a cabo este projeto do `Mundo do Vinho` para que o que vai ser feito cumpra os requisitos das várias instituições e não desvirtue aquela joia".

Na zona do centro histórico, contou, "as caves correm risco de abandono porque estão a ficar vazias, depois de há dez anos terem sido obrigadas pela câmara a tirar a parte industrial da zona histórica".

"Se se passear a pé na zona histórica pode constatar-se que há muitas coisas abandonadas", realçou, acrescentando que "grande parte do envelhecimento do vinho é atualmente feito no Douro, não só porque tem muito menos custos mas também porque o turismo no centro histórico torna incomportável a produção no centro histórico de Gaia".

Contactada pela Lusa, a Câmara de Gaia escusou-se a comentar argumentando "tratar-se de uma opinião pessoal".

Tópicos:

Caves Taylor, Câa, Fladgate Partnership, Gaia, Gaia Contactada, ICOMOS, Monumentos,

A informação mais vista

+ Em Foco

A Redação da RTP votou sobre as figuras e acontecimentos mais destacados, a nível nacional e internacional. Veja aqui as escolhas.

    O embaixador russo em Lisboa afirma, em entrevista à RTP, que as declarações e decisões de Donald Trump sobre Jerusalém podem incendiar todo o Médio Oriente.

    Rui Rosinha, bombeiro de Castanheira de Pêra, sofreu queimaduras de terceiro grau e esteve dez horas à espera de ser internado. Foi operado 14 vezes e regressou a casa ao fim de seis meses.

    Uma caricatura do mundo em que vivemos.