Advogado de trabalhadores diz que liquidação da Soares da Costa já vem tarde
O advogado do Sindicato da Construção de Portugal, José Oliveira Pinto, disse à Lusa, em reação à liquidação da construtora Soares da Costa decidida hoje, que o processo "já deveria ter acontecido há muitos anos".
"Era algo irreversível que já deveria ter acontecido há muitos anos, e não se andar sistematicamente em situações de, desculpando a expressão, `brincadeiras` de Planos de Recuperação que não foram, nem mais nem menos, do que deixar o `doente` nos cuidados intensivos, a vegetar, com o prejuízo da situação de toda a incerteza para os trabalhadores", disse o responsável do sindicato à Lusa.
José Oliveira Pinto falava à saída do Tribunal do Comércio de Vila Nova de Gaia (distrito do Porto), onde a assembleia de credores da construtora decidiu, hoje, pela liquidação dos ativos da empresa, avaliados em cerca de 20 milhões de euros.
No total, segundo o administrador judicial da insolvência, Francisco Areias Duarte, os mais de 1.200 trabalhadores reclamam 45 milhões de euros de créditos em dívida por parte da Soares da Costa, ascendendo o montante total da devedora, a todos os credores a perto de 600 milhões de euros.
Os trabalhadores representados pelo Sindicato da Construção ascendem aos 300, e antes do início da assembleia José Oliveira Pinto já tinha dito que o valor a cargo dos seus representados se encontrava entre os 700 mil e um milhão de euros.
Questionado se o cenário de liquidação permite aos trabalhadores acalentarem a expectativa de receber o que lhes é devido, o advogado disse que "partindo das perspetivas otimistas do senhor administrador de insolvência, o valor que os trabalhadores irão receber poderá ajudá-los significativamente".
"Muitos deles também já haviam requerido a intervenção prévia do Fundo de Garantia Salarial, portanto já tinham recebido, nalgumas situações, os valores que, no máximo, poderiam ir aos 18 salários mínimos nacionais", disse ainda o advogado.
No início da assembleia, antes de ser conhecido o resultado, o presidente do sindicato, Albano Ribeiro, lembrou ainda que "já morreram muitos trabalhadores da Soares da Costa, e continuam a morrer" no decorrer do processo, pelo que anunciou o pedido de reunião à ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, relativamente à celeridade dos processos.