Aeroporto do Porto deve evitar "lutar contra o prejuízo" diz presidente do Turismo Porto e Norte
O aeroporto do Porto precisa de investimento na sua expansão, para evitar que tenha de "lutar contra o prejuízo" no futuro, disse hoje o presidente do Turismo do Porto e Norte, Luís Pedro Martins.
Segundo o responsável, que falou à margem da apresentação da nova rota da Delta Air Lines, entre o Porto e Nova Iorque, "o aeroporto em 80 anos cresceu para chegar agora a este valor dos 17 milhões [de passageiros], mas na última grande intervenção a expectativa era ele chegar a 6 milhões".
Segundo o presidente do Turismo do Porto e Norte, este "é um aeroporto que tem grande capacidade de atração, como se vê, pelas companhias que continuam a chegar, agora sabemos que se não houver investimento, este crescimento, a dada altura, vai ter problemas, conforme, por exemplo, é o que acontece hoje na operação do aeroporto de Lisboa. A melhor forma de evitar o que está hoje a acontecer em Lisboa é olhar longe", destacou.
Para Luís Pedro Martins, "olhar longe é olhar cedo", portanto, disse, é preciso "fazer o investimento antes de estarmos a lutar contra o prejuízo".
"O Governo também foi muito claro e foi muito frontal com a Vinci [que detém a ANA Aeroportos] a dizer que esse investimento tem mesmo que avançar porque de facto é uma infraestrutura estratégica para a região e não apenas no turismo, nós falamos muito no turismo quando falamos do aeroporto, mas importa perceber que esta região é a região mais exportadora do país, são 40% das exportações saem da região do Porto e Norte", lembrou.
O Governo criou um grupo técnico para o acompanhamento da expansão do aeroporto do Porto, incluindo, entre outros, a ANA e a Infraestruturas de Portugal, que deverá concluir o seu trabalho até 31 de dezembro.
Acerca do impacto do conflito no Médio Oriente no turismo da região, Luís Pedro Martins disse que os mercados, felizmente, "hoje são vastos".
"Nós não dependemos de um, de dois, nem de três mercados. Temos mercados muito maduros aqui próximos de nós, como o alemão, o francês, o Reino Unido, a Holanda, a Polónia, o nosso mercado interno", bem como o Canadá, Estados Unidos e Brasil, que, acredita, "encontram em Portugal a segurança necessária para poder continuar a viajar".
Ainda assim, "na mesma forma que os nossos turistas não podem ir para a Ásia Pacífico, da Ásia Pacífico onde estávamos a apostar, também terão mais dificuldade em chegar cá. E essa aposta que fizemos em 2025, se calhar, neste período, vai ser mais difícil de conseguir concretizar", reconheceu.
Luís Pedro Martins falou na apresentação da rota da Delta Air Lines, que vai ligar, diariamente e sem escalas, o aeroporto do Porto a Nova Iorque (JFK) a partir de 22 de maio.