Agricultores lançam petição pública contra Campo de Tiro da Força Aérea em Alter do Chão

Agricultores lançam petição pública contra Campo de Tiro da Força Aérea em Alter do Chão

Um grupo de agricultores lançou uma petição pública contra a transferência do Campo de Tiro da Força Aérea de Alcochete para Alter do Chão, alertando para os possíveis danos ambientais e económicos da infraestrutura.

Lusa /
Ana Sofia Rodrigues - RTP

A petição pública, disponível `online` e consultada hoje pela agência Lusa, é dirigida ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco, e, às 14:00 de hoje, reunia a assinatura de 1.482 pessoas.

No documento, os subscritores pedem à Assembleia da República (AR) "que aprecie e debata esta petição em comissão" e, uma vez que reúna as assinaturas suficientes, também em sessão plenária.

Os peticionários solicitam ainda que o parlamento "requeira ao Governo a divulgação de todos os estudos técnicos, pareceres e documentação que sustentaram a decisão" de transferência do Campo de Tiro de Alcochete, no distrito de Setúbal, para Alter do Chão, no distrito de Portalegre.

A AR, defendem, deve ainda exigir "a suspensão de qualquer avanço" do projeto "até à conclusão dos procedimentos legais obrigatórios", como a Avaliação de Impacte Ambiental, a consulta pública e a verificação da compatibilidade com o Plano Diretor Municipal e com os instrumentos de gestão territorial regional.

As entidades locais, regionais e ambientais com interesse legítimo nesta matéria também têm de ser ouvidas, é reclamado igualmente no documento.

Em declarações à Lusa, Maria Vasconcelos, proprietária de terrenos agrícolas nesta região alentejana e uma das subscritoras da petição pública, alertou hoje que os terrenos onde poderá surgir o novo campo de tiro são "protegidos ambientalmente" e possuem "corredores de aves".

A empresária agrícola criticou ainda a decisão do Governo de escolher aquele território para a infraestrutura militar "sem ter desenvolvido estudos prévios, sem nenhuma avaliação de impacte ambiental, sem consulta pública e sem transparência documental".

Em 11 de março, o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, anunciou a escolha de Alter do Chão para acolher o Campo de Tiro da Força Aérea Portuguesa (FAP), instalado em Alcochete.

Quando anunciou a nova localização, o governante salientou que a escolha da nova localização "é um passo fundamental para que se proceda à desmilitarização dos terrenos" onde vai `nascer` o novo aeroporto Luís de Camões, na região de Lisboa.

Na altura, não foi detalhado o local exato do campo de tiro no concelho de Alter do Chão, mas, segundo o ministro, a valência terá uma dimensão de cerca de 7.500 hectares.

Além das questões ambientais, os agricultores destacam que esta zona alentejana é atravessada por um gasoduto de alta pressão, alertando para riscos de insegurança.

"A segurança de construir um campo de tiro em cima de um gasoduto não foi avaliada e o desvio do gasoduto pode custar até 200 milhões de euros, por isso, não percebo qual a ideia de fazer um campo de tiro com um gasoduto no terreno", criticou Maria Vasconcelos.

A empresária avisou ainda que a construção do campo de tiro vai provocar o encerramento de várias explorações agrícolas e, por consequência, gerar desemprego na região.

"São 7.500 hectares de terras que estão a ser exploradas por empresários agrícolas, cujo pessoal vai todo para o desemprego, porque não temos sítio para os pôr a trabalhar", vincou.

Na petição pública, é possível ler que o risco de incêndio florestal "é agravado significativamente, com interdição de vastas áreas às equipas de combate em caso de emergência".

Os peticionários recordam ainda que Alter do Chão "é o berço" do cavalo Puro-Sangue Lusitano, sendo a instalação do campo de tiro "incompatível" com o turismo equestre de "prestígio internacional", que "sustenta parte significativa" da economia local.

E a decisão "não contempla a compatibilização com a Barragem do Pisão, no concelho do Crato, nem com o Aeródromo Municipal de Ponte de Sor e as suas `Air Traffic Zones`", pode ler-se ainda no documento.


 

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