Ajuda do Brasil à Europa enfrenta barreiras locais
São Paulo, 19 set (Lusa) -- Embora o Brasil já tenha se prontificado a participar numa eventual ajuda aos países europeus, o socorro enfrenta barreiras inteiras no país, destaca hoje o jornal Valor Económico.
A publicação lembra que o Banco Central do Brasil restringe seus investimentos a ativos de baixo risco (AA e AAA) e, citando fontes da área económica do governo brasileiro, afirma que o país não pretende alterar os critérios na gestão de suas reservas, avaliadas em 353 mil milhões de dólares.
Um dos motivos é a dificuldade que o governo brasileiro teria para explicar à sociedade que poderá aplicar alguns milhões de dólares num financiamento de risco a países estrangeiros na mesma semana em que se discute a necessidade de criação de um novo imposto para a saúde.
No entanto, o Valor Económico ressalva que o Brasil não descarta a ajuda, apenas avalia algumas possibilidades para sua viabilização.
Uma das medidas estudadas é a aplicação dos 15 mil milhões de reais (6,4 mil milhões de euros) disponíveis no Fundo de Riqueza Soberana do país. Embora o valor seja parco perante as necessidades, poderia compor uma ajuda maior junto aos demais emergentes.
Segundo o jornal, o Brasil também poderia considerar um aumento na participação dos emergentes no Fundo Monetário Internacional (FMI). Dessa forma, os emergentes assumiriam um risco menor, enquanto o fundo teria mais recursos para ajudar os países europeus.
Para as fontes do governo brasileiro consultadas, que falaram em anonimato, o investimento também seria plausível se o fundo europeu de estabilidade financeira emitisse títulos garantidos por governos mais sólidos da Zona do Euro.
Uma eventual ajuda dos países emergentes à Europa será discutida nesta semana na reunião anual do FMI e do Banco Mundial, em Washington.