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Alcochete não tem um único hectare no Campo de Tiro

Alcochete não tem um único hectare no Campo de Tiro

Lisboa, 08 Jan (Lusa) - O município de Alcochete não tem um único hectare no Campo de Tiro onde vai ser construído o novo aeroporto de Lisboa, que se divide pelas áreas dos concelhos de Benavente e Montijo.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

O Campo de Tiro de Alcochete tem 7.500 hectares, 6.300 dos quais pertencem a Benavente e os restantes 1.200 ao Montijo.

A localidade de Alcochete fica a nove quilómetros do local para onde está prevista a construção do novo aeroporto.

Em declarações anteriores à Lusa, o presidente da Câmara de Benavente, António José Ganhão (CDU) esclareceu: "O Campo de Tiro chama-se de Alcochete apesar deste município não ter um hectare".

O Partido Socialista do Montijo já veio a público criticar o executivo de Alcochete por não esclarecer a população do país sobre a legitimidade dos terrenos, com a presidente da autarquia, Maria Amélia Antunes, a anunciar que as questões administrativas e geográficas pertencem ao Montijo e a Benavente.

De acordo com a autarca, no concelho do Montijo, os terrenos pertencem à freguesia de Canha.

"Uma das partes analisada para a localização do aeroporto, a chamada zona H6, pertence mesmo na sua maioria ao Montijo", afirmou.

O presidente da Câmara de Alcochete, Luís Miguel Franco (CDU), já reconheceu que o seu município não tem nenhuma área no Campo de Tiro.

"O Campo de Tiro de Alcochete foi fundado em 1904 pelo Rei D. Carlos I e ninguém se preocupou com o nome", esclareceu.

O Governo decidiu hoje que o novo aeroporto de Lisboa será construído na área do Campo de Tiro de Alcochete, com base no relatório elaborado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).

O relatório do LNEC conclui que "a localização do novo aeroporto na zona do Campo de Tiro de Alcochete é a que, do ponto de vista técnico e financeiro, se verificou ser globalmente a mais favorável".

No seu estudo, o LNEC recomenda ao Governo que, se optar por Alcochete, deverá "procurar que a implantação se verifique o mais a sudoeste possível para maior sustentabilidade do sistema de transportes (efeitos ambientais, económicos e de consumo de energia)" e "assegurar que a terceira travessia do Tejo Chelas-Barreiro seja rodo-ferroviária".

SO


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