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Alterações ao Regimento da AR devem estar concluídas antes da discussão do Orçamento

Alterações ao Regimento da AR devem estar concluídas antes da discussão do Orçamento

As alterações ao Regimento da Assembleia da República deverão estar concluídas a tempo de serem votadas no plenário de 14 de outubro, antes de se iniciar a discussão do Orçamento do Estado para o próximo ano.

Lusa /

A informação foi transmitida à Lusa pelo presidente do grupo de trabalho que está a discutir esta matéria, o socialista Pedro Delgado Alves, dizendo que este prazo foi consensual na reunião de hoje de manhã, na qual só não esteve presente o PAN.

"Apontámos para ter o processo pronto para ir a votação em 14 de outubro", afirmou, acrescentando que algumas das propostas de alteração ao Regimento incidem sobre a organização das audições orçamentais e poderão ser já aplicadas este ano, caso sejam aprovadas.

O grupo de trabalho começará por ouvir, na próxima semana, a divisão de informática da Assembleia da República sobre as propostas de alguns partidos de aumentar, em muito, o número de votações eletrónicas no parlamento, e avaliar a sua viabilidade técnica.

Depois, será feito um texto que contenha todas as propostas consensuais e repetidas, mantendo-se um comparativo do que não é consensual entre as várias bancadas e deputados, com as votações no grupo de trabalho a arrancarem mais perto do final do mês de setembro.

Antes das férias parlamentares, os deputados tinham manifestado a ambição de que as alterações ao Regimento pudessem ser votadas no primeiro plenário, já a 14 de setembro, mas a multiplicação de jornadas parlamentares (de três bancadas, nas próximas semanas) e de outros grupos de trabalho inviabilizaram essa meta.

Mesmo essa data já tinha resultado de um pedido de adiamento por parte do PSD, que contou com o voto favorável do PS, para que se adiasse para setembro a conclusão dos trabalhos, inicialmente prevista para terminar a tempo de ir a votos no último plenário antes das férias, no dia 21 de julho.

Esse requerimento foi aprovado em 15 de julho com votos a favor de PSD e do PS, contra do Chega e abstenção da IL, BE, PCP, Livre e PAN.

Este processo de revisão do Regimento tem como ponto central a revisão dos modelos de debates parlamentares com o primeiro-ministro, com propostas de todas as bancadas, a maioria para repor as discussões quinzenais que terminaram em 2020 por acordo entre PS e PSD.

À exceção de PS e PCP, todos os restantes partidos, incluindo o PSD, apresentam propostas de reposição dos debates quinzenais com o primeiro-ministro.

No atual modelo, os debates com o Governo realizam-se mensalmente e o primeiro-ministro só tem obrigação de comparecer perante os deputados uma vez a cada dois meses.

No seu diploma, o PS propõe a realização de debates mensais com o primeiro-ministro, tal como acontecia entre 1996 e 2007, e que o Governo esteja presente quinzenalmente no plenário da Assembleia da República.

Os socialistas pretendem também acabar com o atual modelo de pergunta-resposta nos debates com o primeiro-ministro, estabelecendo que "no final do tempo de intervenção de cada partido segue-se, de imediato, a resposta do Governo", uma alteração que o PSD contesta.

O PCP pretende que o primeiro-ministro compareça para debate em plenário uma vez por mês e cada ministro pelo menos uma vez por sessão legislativa, mas já anunciou que "votará favoravelmente as propostas de reposição dos debates quinzenais com o primeiro-ministro".

 

 

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