Ambientalistas pedem à UE imposto sobre lucros extraordinários das petrolíferas
Associações ambientalistas europeias, incluindo a portuguesa Zero, enviaram uma carta às instituições europeias a pedir a taxação de lucros extraordinários das empresas de combustíveis fósseis causados pela guerra no Irão, anunciou hoje a associação portuguesa.
Em comunicado, a Associação Sistema Terrestre Sustentável (ZERO) refere que "a nova instabilidade geopolítica voltou a expor a extrema vulnerabilidade da Europa à dependência do petróleo, gás e restantes combustíveis fósseis".
Segundo dados recentemente divulgados pela Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E), que congrega organizações não-governamentais europeias que trabalham na área de transporte e meio ambiente, as petrolíferas poderão obter este ano cerca de 24 mil milhões de euros em lucros extraordinários à custa dos condutores europeus.
Só nas primeiras semanas da crise, já terão acumulado cerca de 1,3 mil milhões de euros em ganhos excessivos.
Na carta enviada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, à vice-presidente executiva para uma Transição Limpa, Justa e Competitiva, Teresa Ribera, a três comissários europeus, e às representações dos 27 países da União Europeia, a T&E e um conjunto de organizações, entre as quais a ZERO, "manifestaram o seu apoio à criação de um mecanismo de taxação dos lucros extraordinários das empresas de combustíveis fósseis".
Esta medida seria aplicada "de forma coordenada à escala da União Europeia, como resposta à atual crise energética e à escalada recente dos preços dos combustíveis".
"Numa altura em que o custo de vida continua a pressionar os rendimentos e em que a insegurança energética permanece elevada, é elementar que quem mais beneficia da crise contribua a um nível proporcional," lê-se no comunicado.
Para a ZERO, "não é aceitável que famílias, pequenas empresas e setores económicos expostos ao aumento dos preços da energia suportem os custos de uma nova crise, enquanto grandes operadores do setor fóssil acumulam ganhos excecionais gerados por choques externos, guerra e especulação", reafirma.
Por fim a organização não-governamental (ONG) apela à "Comissão Europeia e aos Estados-Membros para que avancem rapidamente com um mecanismo europeu de taxação dos lucros extraordinários das empresas de combustíveis fósseis, mais ambicioso, mais justo e mais bem orientado para o interesse público".