Analistas preveem lucros fortes na banca mas sem repetir níveis recorde de 2025

Analistas preveem lucros fortes na banca mas sem repetir níveis recorde de 2025

A banca portuguesa deverá manter lucros fortes este ano, eventualmente acima dos inicialmente esperados, mas sem repetir os níveis recorde de 2025, segundo analistas contactados pela Lusa, na véspera do arranque da temporada de apresentação dos resultados semestrais.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

O analista da corretora XTB Nuno Mello considera que em toda a banca europeia o forte crescimento dos lucros (registados entre 2022 e 2025) "ficou para trás" e o cenário mais provável é "estabilização ou ligeira descida dos lucros face aos máximos registados em 2025".

"Acreditamos que a banca europeia, incluindo a portuguesa, continuará a apresentar níveis de rentabilidade historicamente sólidos, mas mais normalizados", isto é, "sem repetir os lucros recorde alcançados no ano passado", disse à Lusa.

Para a XTB, a compressão da margem financeira (já visível nos resultados do primeiro trimestre) e o aumento da remuneração paga nos depósitos têm impacto nas receitas, ainda que - ao mesmo tempo - haja maior diversificação das receitas, controlo dos custos e qualidade dos ativos.

A Lusa questionou sobre se a recente subida das taxas de juro poderá ajudar os resultados da banca (desde logo, passa a cobrar mais nos créditos), considerando Nuno Mello que "esse movimento pode aliviar parcialmente a pressão sobre as margens financeiras, sobretudo se as taxas permanecerem elevadas durante mais tempo do que o inicialmente previsto".

Contudo, acrescentou, deverá ser insuficiente para recriar as rentabilidades de 2024 e 2025.

"Esperamos que 2026 seja um ano de normalização dos resultados, e não de um novo ciclo de crescimento expressivo dos lucros. O foco dos investidores estará menos na evolução da margem financeira e mais na capacidade de manter dividendos atrativos, controlar custos e preservar uma baixa taxa de crédito malparado", disse o analista da XTB.

Para a agência de `rating` Fitch, a evolução em alta das taxas Euribor pode vir a sustentar "lucros superiores aos anteriormente previstos".

Além disso, afirmou a Fitch à Lusa, "o crescimento dinâmico da carteira de crédito também impulsionará o aumento das receitas e mitigará o impacto de taxas de juros mais baixas".

Para o analista da ActivTrades Henrique Valente, a banca portuguesa entrou neste ano numa posição sólida -- com crescimento do crédito e incumprimento baixo -- mas a redução da margem financeira, o aumento dos custos e a maior remuneração dos depósitos deverão limitar a evolução dos lucros.

Sobre a subida das taxas de juro decidida pelo Banco Central Europeu (BCE) em junho, considerou que "poderá ajudar a estabilizar a margem financeira [dos bancos] no curto prazo".

Ainda assim, alertou que há o risco de enfraquecimento da economia (por causas como o conflito no Médio Oriente), o que - com a procura de crédito a abrandar e o risco de incumprimento a aumentar - anularia parcialmente o efeito das taxas de juro mais elevadas para os bancos.

A `normalização` dos lucros da banca vem sendo admitida até pelos banqueiros. O presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo, avisou que serão difíceis de repetir os lucros históricos de 1.900 milhões de euros obtidos pelo banco público em 2025.

Contudo, nos últimos anos, as previsões sobre o setor bancário têm pecado por defeito. Já 2023 foi considerado um `pico` excecional na rentabilidade da banca, mas 2024 acabou por revelar-se mais lucrativo e 2025 bateu ainda novo recorde.

No ano passado, os cinco maiores bancos (CGD, BCP, Santander Totta, Novo Banco, BPI) tiveram lucros agregados superiores a cinco mil milhões de euros (de 5.226 milhões de euros, mais 5,9% do que em 2024). Entre janeiro e março, os mesmos bancos tiveram lucros de 1.279 milhões de euros, mais 4,9% face ao período homólogo.

A temporada de apresentação de resultados do primeiro semestre começa esta sexta-feira com o Santander Totta. Na próxima semana apresentam resultados BCP, BPI, CGD. O Novo Banco faz a divulgação na primeira semana de agosto.

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