Angola defende nova etapa de cooperação com Portugal centrada no investimento produtivo

Angola defende nova etapa de cooperação com Portugal centrada no investimento produtivo

O secretário de Estado das Finanças e Tesouro de Angola, Ottoniel dos Santos, apelou hoje, em Luanda, a que as empresas portuguesas olhem para o país "não apenas como um mercado de destino, mas como uma plataforma de produção" e de acesso a outros mercados africanos.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"É importante que as empresas portuguesas olhem para Angola não apenas como um mercado de destino, mas como uma plataforma de produção, de criação de valor e de acesso a outros mercados africanos", afirmou o governante, defendendo uma nova etapa de cooperação centrada no investimento produtivo.

Ottoniel dos Santos deixou também um recado sobre os alicerces da relação bilateral, ao sustentar que as relações económicas entre os dois países não podem assentar apenas na proximidade histórica e na língua comum.

"Esses elementos constituem vantagens importantes, mas não substituem a competitividade, a inovação, a capacidade financeira nem a qualidade da gestão", declarou, acrescentando que a amizade "aproxima os países", mas são "a confiança, a competência e os resultados" que sustentam relações duradouras.

O governante discursava hoje na abertura do IX Business Networking Angola-Portugal, realizado no Hotel Epic Sana, em Luanda, na véspera da abertura da 41.ª Feira Internacional de Luanda (FILDA).

O secretário de Estado apelou a que a nova etapa da cooperação privilegie parcerias que criem capacidade instalada em Angola, formem quadros nacionais e apoiem os fornecedores locais, apontando oportunidades em setores como a agricultura, a agroindústria, as pescas, a indústria transformadora, as energias renováveis, o turismo, a saúde, a logística e os serviços financeiros.

Defendeu, no mesmo sentido, que importa criar condições para que mais empresas angolanas encontrem em Portugal acesso ao espaço económico europeu, numa relação empresarial "de dois sentidos, assente no benefício mútuo".

Ottoniel dos Santos sublinhou o empenho de Angola na diversificação da economia, no fortalecimento do setor privado e na redução da dependência das receitas petrolíferas, esforço que exige investimento, tecnologia, qualificação dos recursos humanos e um ambiente económico mais favorável.

O governante admitiu, no entanto, que os empresários continuam a enfrentar constrangimentos relacionados com o acesso ao financiamento, os custos de contexto, a burocracia, a logística, a disponibilidade de divisas e a previsibilidade de alguns procedimentos, defendendo que essas preocupações devem ser escutadas e não respondidas "apenas com declarações de intenção".

Destacou ainda as pequenas e médias empresas, que asseguram uma parte significativa do emprego, mas enfrentam maiores dificuldades no acesso ao financiamento, à tecnologia e aos mercados.

O IX Business Networking Angola-Portugal foi promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola (CCIPA) em parceria com a Associação Empresarial de Portugal (AEP) e a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), em vésperas da Feira Internacional de Luanda (FILDA), considerada o maior certame internacional realizado em Angola, que decorre entre terça-feira e sábado na Zona Económica Especial Luanda-Bengo.

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