Angola interdita corte de madeira mussivi durante dois anos

Angola interdita corte de madeira mussivi durante dois anos

Angola interditou o corte de árvores da espécie mussivi por um período de dois anos, num esforço para aliviar a pressão sobre estas causadas pelas Campanhas Florestais de 2016 e 2017, conforme decisão governamental a que a Lusa teve hoje acesso.

Lusa /

Estas campanhas, com destaque nas províncias do Moxico, Lunda Sul e Cuando Cubango, todas no leste do país, resultaram na "extração de volumes acimas das quotas legalmente estabelecidas", de acordo com o Decreto Executivo n.º 278/18, do Ministério da Agricultura e Florestas, com data deste mês.

Em 2017, segundo dados recolhidos pela Lusa, cada metro cúbico de madeira mussivi angolana era vendido a quase 200.000 kwanzas (635 euros).

O decreto executivo, que entra em vigor no arranque da campanha florestal de 2018, desde julho, justifica a decisão de interdição com a "necessidade de se consolidar a avaliação desta espécie através do inventário florestal, para permitir melhor conhecimento da real situação no país", assim como assegurar a sua gestão e futuros licenciamentos.

As empresas com árvores desta espécie em parques de concentração têm três meses para proceder à sua comercialização e total evacuação dos espaços.

Em março último, 540 metros cúbicos de madeira mussivi, bem como outros 20 contentores de madeiras destinadas para o mercado chinês, foram apreendidos na província de Namibe por falta de documentos.

Angola, que possui uma superfície florestal avaliada em 69,3 milhões de hectares, e que representa 55,6% da sua superfície territorial, bem como reservas de madeira comercial estimadas em 4,5 mil milhões de metros cúbicos, tem enfrentado um problema de abate e exportação ilegal de madeira.

Na última época florestal, que terminou em janeiro, foram vários os relatos nas redes sociais de dezenas de camiões a circularem diariamente em várias províncias do país carregados com toros de madeira para exportação, sem qualquer transformação local.

Em 09 de janeiro, o secretário de Estado para os Recursos Florestais, André Moda atribuiu a responsabilidade a cidadãos nacionais pela exploração desmedida de madeira por estrangeiros, maioritariamente chineses, aliada ao número insignificante de fiscais para o efeito.

"Infelizmente, estamos a gerir situações como este comportamento de fazer uso ilegal, mesmo a presença dos estrangeiros na posse dos nossos recursos, é devido ao comportamento do próprio cidadão nacional", disse André Moda, referindo-se à violação da lei para a exploração florestal pelos cidadãos nacionais.

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