Associação de Municípios do Vale do Ave substituída por estrutura com "mais peso"
Santo Tirso, Porto, 20 jan (Lusa) - A extinção da Associação de Municípios do Vale do Ave (Amave) deverá ficar concluída "dentro de um ano" mas está a ser constituída uma "alternativa" que "dê peso" à região, avançou o presidente da câmara de Santo Tirso.
"Estamos a trabalhar nisso [extinção da Amave] mas ao mesmo tempo estamos a trabalhar numa alternativa com Santo Tirso, Famalicão, Guimarães, Vizela e Fafe. Pelo menos estes cinco. Se a Trofa se quiser associar muito bem", disse à agência Lusa Joaquim Couto.
O autarca referiu que o objetivo é "transformar" a atual Amave numa "outra organização" e garantiu que os interessados neste projeto estão a "tentar que não exista nenhum período sem nenhuma estrutura".
"A Amave é uma organização associativa que trata globalmente tudo aquilo que é dos municípios", disse o presidente da câmara de Santo Tirso que manifestou o desejo de que a nova estrutura vá ao encontro da "ideia e filosofia" de "governo supramunicipal" porque, defendeu Couto, "há um conjunto de políticas e projetos que não têm escala e só se podem resolver a dois, três quatro ou a cinco".
O autarca apontou por exemplo a rede de transportes, as redes de vias cicláveis ou os problemas ambientais comuns a vários concelhos dada a passagem dos rios Ave e Vizela, ou mesmo questões ligadas à saúde e à educação e a gestão urbanística.
Também os equipamentos desportivos e culturais podiam, segundo a visão apontada por Joaquim Couto, "ser geridos em rede e ter um aproveitamento muito mais otimizado".
"Faz algum sentido o Plano Diretor Municipal de Santo Tirso na fronteira com Famalicão ou Guimarães não estar tratado. Em muitos casos há de um lado uma zona industrial e do outro lado uma zona ecológica. Cada um planeou e as sucessivas CCDR-N não coseram e harmonizaram os PDM dos municípios. O que significa que em termos de planeamento entre os dois há verdadeiros Muros de Berlim", descreveu.
Joaquim Couto adiantou que a ideia da "nova Amave" poderá passar por "associação de municípios conforme interesses comuns", exemplificando que dois ou três concelhos com ambição comum sobre a rede viária poderão partilhar um projeto ou uma candidatura não "obrigando" os restantes a participar.
"Sempre mais do que um. Isto para ter peso nas candidaturas e otimizar ideias e serviços. Hoje não temos uma rede de transportes eficiente entre Famalicão e Santo Tirso ou entre Santo Tirso e Guimarães porque esse planeamento não existe", disse.
Criada na década de 80 a Amave era inicialmente composta pelos municípios de Vizela, Fafe, Guimarães, Santo Tirso, Vila Nova de Famalicão, Póvoa de Varzim, Vila de Conde, Trofa, Vieira do Minho e Póvoa de Lanhoso, mas estes dois últimos municípios abandonaram entretanto a associação. A 02 de fevereiro do ano passado também a Póvoa de Varzim manifestou a intenção de sair desta estrutura.
Mas o caso mais polémico prende-se com a Trofa que em outubro de 2014 anunciou que queria sair da Amave adjetivando a associação de "caduca".
Em resposta a Amave decidiu acionar judicialmente a câmara da Trofa exigindo o pagamento de valores que diz ter a receber por parte deste concelho criado em 1998 por desafetação de Santo Tirso.
A propósito da extinção da Amave e da constituição de uma nova entidade, à Lusa Joaquim Couto reforçou que a Trofa tem uma dívida com a associação: "O sistema de água, devem-no à Amave, o sistema de rede de esgotos devem-no à Amave. Foram feitas escolas na Trofa no âmbito da Amave", descreveu o autarca de Santo Tirso.
A agência Lusa contactou a câmara da Trofa que não quis comentar.