Audiências estão insatisfeitas com cobertura das grandes notícias globais
As audiências estão muito insatisfeitas com a cobertura das grandes notícias globais, como inflação ou alterações climáticas, destaca hoje o 15.º relatório do Digital News Report 2026 (DNR2026) do Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ).
O estudo sublinha que as audiências estão "amplamente insatisfeitas com a cobertura das grandes notícias globais", já que "a maioria das pessoas" da amostra global de 48 mercados "acha que os media não estão a fazer um bom trabalho na cobertura de grandes notícias internacionais, como a inflação, a migração, o segundo mandato de Donald Trump, alterações climáticas e conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente".
Segundo o relatório, os consumidores de notícias estão especialmente insatisfeitos "com a cobertura da imigração, com um número significativamente maior de pessoas (diferença de 11 pontos percentuais) a considerar que os meios de comunicação social estão a fazer um mau trabalho em vez de um bom trabalho ao cobrir o assunto".
Em países com ambientes mediáticos mais polarizados, "como o Reino Unido e os EUA, a orientação política revela grandes diferenças de satisfação".
De acordo com o estudo, "as pessoas que se deparam com notícias importantes através das plataformas de redes sociais e vídeo tendem a ser mais negativas sobre a forma como os meios de comunicação as estão a cobrir".
Outro dos destaques do DNR é que "a maioria das pessoas ainda prefere notícias imparciais".
As audiências, acrescenta, ainda apoiam a ideia "de obter notícias de fontes que não têm um ponto de vista específico".
Segundo o DNR, "a preferência por este tipo de notícias imparciais desceu três pontos percentuais desde 2020, mas os que dizem preferi-la ainda superam em mais de dois para um os que preferem notícias que partilhem o seu ponto de vista".
Também "não se verificou uma grande mudança no sentido da preferência por notícias que partilham o ponto de vista das pessoas: o apoio a estas desceu, de facto, quatro pontos desde 2020, atingindo os 20%".
Quase metade (45%) dos inquiridos prefere notícias "que não tomam partido, e uma parcela semelhante (46%) também acredita que consumir notícias que não tomam partido é melhor para os outros na sociedade".
Relativamente, aos criadores ou `influencers` [influenciadores], estes estão a remodelar a descoberta de notícias, mas não a substituir o jornalismo tradicional.
Mais de metade (51%) dos inquiridos a nível global "afirmam consumir notícias `online` de fontes diferentes das redes sociais e redes de vídeo todas as semanas.
Entre as pessoas que utilizam criadores focados em notícias, este alcance fora das redes sociais sobe para 60%, em nítido contraste com a ideia de que os criadores estão a retirar tráfego das fontes tradicionais.
O inquérito foi realizado nos EUA, Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Espanha, Portugal, Irlanda, Noruega, Suécia, Finlândia, Dinamarca, Bélgica, Países Baixos, Suíça, Áustria, Hungria, Sérvia, Eslováquia, República Checa, Polónia, Croácia, Roménia, Bulgária, Grécia, Turquia, Coreia do Sul, Japão, Hong Kong, Índia, Indonésia, Malásia, Filipinas, Taiwan, Tailândia, Singapura, Austrália, Canadá, Brasil, Argentina, Colômbia, Chile, Peru, México, Marrocos, Nigéria, Quénia e África do Sul.
A amostra total é 97.520 adultos, com cerca de 2.000 por mercado e o trabalho de campo foi realizado no final de janeiro/início de fevereiro de 2026.