A secretária-executiva da Comissão Económica das Nações Unidas para África defendeu hoje que a nova alocação de Direitos Especiais de Saque (DES) podiam ser usados para novos programas do FMI, compra de vacinas ou para bancos multilaterais.
Aumento de capital do FMI deve ir para vacinas e bancos multilaterais
"O que estamos a defender é que a alocação de 500 a 650 mil milhões de DES, que se convertem em 460 a 550 mil milhões de dólares [386 a 462 mil milhões de euros], podiam ser parcialmente colocados à disposição dos países africanos, seja através de um aumento da dotação do Fundo contra a Pobreza e Crescimento, ou para aceder ao mercado de forma mais barata ou para comprar as vacinas todas de que o continente precisa, além de permitir que bancos multilaterais possam ter acesso às verbas", disse Vera Songwe.
Durante a conferência de imprensa no final da 53.ª reunião dos ministérios das Finanças africanos, que decorreu desde terça-feira a partir de Adis Abeba, Vera Songwe explicou que o grande pedido do continente é "aumentar o acesso a liquidez" para estes países.
"Os DES são alocados em função da quota, portanto não recebemos muito, o que pedimos é um empréstimo dos SDR das economias avançadas, que, só considerando o G7 mais a China, recebem 250 mil milhões de dólares [210 mil milhões de euros]", vincou a responsável.
"Estes países já deram um enorme estímulo orçamental à suas economias, e não precisam de ter acesso imediato ao DES, por isso o que pedimos é que estes DES sejam postos à disposição das finanças, seja através do Fundo de alívio da pobreza do FMI, libertando mais recursos para os países menos desenvolvidos, e o segundo pedido é que os DES sejam usados para aceder ao mercado de forma mais rápida e melhor", acrescentou.
A responsável lembrou que 40% do financiamento africano vem dos mercados financeiros, através de emissões de dívida soberana e de empréstimos dos bancos comerciais.
"Ir ao mercado traz um custo muito elevado, muitos países desenvolvidos financiam-se a taxas negativas, mas o Benim, por exemplo, paga quase 7% para ir ao mercado, e nós precisamos de taxas mais baixas", salientou.
Na sessão de perguntas e respostas, Vera Songwe disse ainda que a alocação de DES podia ser usada também "para comprar as vacinas todas de que África precisa, já que o Covax fornece 27% das vacinas, mas é preciso vacinar 70% para ter imunidade de grupo, e o custo das vacinas representa 15 a 30% do PIB de algumas economias".
Por último, na argumentação sobre a transmissão dos DES, a responsável apontou ainda que era importante que alguns bancos multilaterais pudessem ter acesso à nova alocação de fundos, apontando o exemplo do Banco Africano de Desenvolvimento e do Banco Africano de Exportações e Importações (Afreximbank).