Banca moçambicana deixa taxa de juro inalterada pelo quarto mês consecutivo
A taxa de juro de referência para o crédito em Moçambique vai manter-se inalterada em agosto, nos 15,5%, pelo quarto mês consecutivo, após três cortes anteriores este ano, anunciou hoje a Associação Moçambicana de Bancos (AMB).
A decisão acompanha a do Banco de Moçambique, que esta semana deixou inalterada a taxa de juro de referência MIMO, enquanto a taxa definida pela AMB, conhecida como `prime rate`, tinha vindo a descer progressivamente desde janeiro de 2024, após seis meses consecutivos em máximos de 24,1%.
Em janeiro passado, a AMB cortou a taxa em 10 pontos base, para 15,7%, mantendo-a inalterada em fevereiro. Seguiram-se cortes idênticos, de 10 pontos base, em março e abril, e a estabilização da taxa em maio, junho, julho e agora em agosto.
As oscilações da `prime rate` estão associadas à taxa de juro de política monetária (taxa MIMO), definida pelo banco central e que influencia a fórmula de cálculo daquela taxa, usada para controlar a inflação.
O Banco de Moçambique manteve esta semana a taxa de juro de referência em 9,25%, apontando para a redução da liquidez em moeda nacional e para um aumento da inflação no curto prazo, prevendo uma descida para um dígito a médio prazo.
"Esta decisão é sustentada pela redução da liquidez em moeda nacional no sistema bancário, decorrente do aumento do coeficiente de reservas obrigatórias em maio último, não obstante a prevalência de elevados riscos e incertezas associados às projeções de inflação", anunciou o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela.
A posição foi assumida na terça-feira, no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), em Maputo, que se realiza a cada dois meses, e que decidiu manter a taxa inalterada, tal como já o tinha feito em março, então após 12 cortes (24 meses) consecutivos desde janeiro de 2024, e igualmente no final de maio.
Nas perspetivas divulgadas na sequência desta reunião, Zandamela apontou para "um aumento da inflação no curto prazo e uma redução da inflação para um dígito no médio prazo", recordando que em junho de 2026 a inflação anual fixou-se em 7,5%, após 7,2% em maio.
"No curto prazo, perspetiva-se que os preços continuem a aumentar, refletindo os efeitos indiretos do aumento dos preços domésticos dos combustíveis líquidos e da inflação importada. Entretanto, no médio prazo, antevê-se uma redução da inflação para um dígito explicada entre outros fatores, pela perspetiva de manutenção da estabilidade cambial e de abrandamento dos preços dos produtos energéticos e dos alimentos", disse então Zandamela.
A taxa de juro diretora de política monetária MIMO em Moçambique esteve fixada em 17,25% desde setembro de 2022, após a intervenção do banco central, que depois iniciou cortes consecutivos a partir de 31 de janeiro de 2024, quando reduziu para 16,5%.
Em março do ano passado, o Banco de Moçambique iniciou um processo de cortes e decidiu baixar a taxa para 15,75%. Os cortes repetiram-se em todas as reuniões seguintes, até chegar a 9,75% em setembro, 9,50% em novembro e, em janeiro, a 9,25%, suspendendo o ciclo de descidas em março, com os efeitos do conflito no Médio oriente, e mantendo a taxa inalterada nas reuniões de maio e julho.