Banco de Moçambique mantém taxa de juro em 9,25% devido à redução de liquidez

Banco de Moçambique mantém taxa de juro em 9,25% devido à redução de liquidez

O Banco de Moçambique manteve hoje a taxa de juro de referência em 9,25%, admitindo a redução de liquidez em moeda nacional e o crescimento da inflação no curto prazo, descendo para um dígito a médio prazo.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Esta decisão é sustentada pela redução da liquidez em moeda nacional no sistema bancário, decorrente do aumento do coeficiente de reservas obrigatórias em maio último, não obstante a prevalência de elevados riscos e incertezas associados às projeções de inflação", anunciou o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, que termina o mandato em setembro.

A posição foi assumida no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), em Maputo, que se realiza a cada dois meses, e que assim decidiu manter a taxa inalterada, tal como já o tinha feito em março, então após 12 cortes (24 meses) consecutivos desde janeiro de 2024, e igualmente no final de maio.

Adicionalmente, em maio, o CPMO decidiu aumentar o coeficiente de reservas obrigatórias para os passivos em moeda nacional de 29% para 39% do total de depósitos que os bancos comerciais têm de guardar no banco central, "visando absorver a liquidez excedentária no sistema bancário, suscetível de gerar maior pressão inflacionária". Contudo, aquele órgão decidiu manter o coeficiente de reservas obrigatórias para os passivos em moeda estrangeira em 29,5%. Ambas ficaram inalteradas após a reunião do CPMO de hoje.

Nas perspetivas divulgadas na sequência desta reunião, Zandamela apontou para "um aumento da inflação no curto prazo e uma redução da inflação para um dígito no médio prazo", recordando que em junho de 2026 a inflação anual fixou-se em 7,5%, após 7,2% em maio.

"No curto prazo, perspetiva-se que os preços continuem a aumentar, refletindo os efeitos indiretos do aumento dos preços domésticos dos combustíveis líquidos e da inflação importada. Entretanto, no médio prazo, antevê-se uma redução da inflação para um dígito explicada entre outros fatores, pela perspetiva de manutenção da estabilidade cambial e de abrandamento dos preços dos produtos energéticos e dos alimentos", disse hoje Zandamela.

Sublinhou que "os riscos e as incertezas associadas às projeções da inflação mantêm-se elevados", e, a nível doméstico, "a magnitude dos efeitos indiretos do aumento dos preços dos combustíveis", bem como "o ritmo de reposição da capacidade produtiva na sequência das inundações que assolaram o país no primeiro trimestre do ano".

"Terceiro, o impacto do agravamento do risco fiscal, com destaque para o aumento do nível de endividamento e dos atrasos nos pagamentos devidos pelo Estado. Quarto e último, os efeitos dos choques climáticos que assolam o país anualmente. A nível externo, evidenciam-se as incertezas quanto à duração e à magnitude dos efeitos do conflito geopolítico no Médio Oriente, sobretudo a cadeia logística, a oferta de bens e os preços dos produtos energéticos e alimentares", apontou.

A taxa de juro diretora de política monetária MIMO em Moçambique esteve fixada em 17,25% desde setembro de 2022, após a intervenção do banco central, que depois iniciou cortes consecutivos a partir de 31 de janeiro de 2024, quando reduziu para 16,5%.

Em março do ano passado, o Banco de Moçambique decidiu baixar a taxa para 15,75%, cortes que se foram repetindo em todas as reuniões seguintes, até chegar a 9,75% em setembro, 9,50% em novembro e, em janeiro, a 9,25%, suspendendo o ciclo de descidas em março e mantendo a taxa inalterada em maio.

Acrescentou que esta sessão do CPMO foi precedida da reunião do Comité de Estabilidade e Inclusão Financeira do Banco de Moçambique, "que avaliou os riscos sistémicos, as principais vulnerabilidades e a evolução dos indicadores de inclusão financeira", tendo "concluído que o sistema financeiro nacional se mantém estável e resiliente e que os níveis de inclusão financeira continuam a melhorar".

A próxima reunião do CPMO está agora agendada para 30 de setembro, foi ainda anunciado, já após o final do segundo e último mandato de Rogério Zandamela, que esteve no cargo durante dez anos.

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