Banco de Portugal anuncia regras mais exigentes no crédito à habitação
O governador do Banco de Portugal anunciou hoje que será proposto um `apertar` de regras no crédito, incluindo uma taxa de esforço mais exigente que os clientes terão de cumprir no crédito à habitação.
Na apresentação do relatório de estabilidade financeira, em Lisboa, Álvaro Santos Pereira disse que o regulador e supervisor bancário vai propor a diminuição da taxa de esforço de 50% para 45% no conjunto de empréstimos bancários.
Até agora, quando concedem crédito à habitação, os bancos devem garantir que os clientes não gastam mais de 50% do seu rendimento líquido em dívidas e o regulador quer baixar essa proporção, o que significa um apertar da regra de acesso ao financiamento.
O BdP vai propor ainda outras alterações nas regras que os bancos têm de cumprir quando emprestam dinheiro, como a diminuição das exceções permitidas e a redução da maturidade média (duração) dos empréstimos.
O Banco de Portugal quer ainda que as recomendações feitas aos bancos passem a ser vinculativas.
"Está na hora de regras macroprudenciais serem vinculativas", disse Santos Pereira, acrescentando que faz esse apelo ao legislador até porque é o que já se passa em muitos países europeus.
Apesar de ir sugerir o apertar das regras na concessão de crédito, o governador disse que o BdP está disposto a "equacionar eventuais alterações no financiamento de casa para os mais jovens".
Notícias saídas na imprensa nas últimas semanas já informavam que o Banco de Portugal queria `apertar` as regras do crédito à habitação, desde logo baixando a taxa de esforço máxima dos clientes.
Desde há algum tempo, o supervisor e regulador bancário vem mostrando que está preocupado com o ritmo de concessão de empréstimos pelos bancos devido aos riscos para clientes e para bancos, o que poria em causa a estabilidade financeira. A preocupação tem sido mais falada desde que entrou em vigor a garantia pública no crédito à habitação a jovens.
O `apertar` da taxa de esforço pode levar a que famílias fiquem sem acesso à compra de casa.
Em declarações à Lusa, em 15 de maio, a associação de defesa do consumidor Deco disse que vê com bons olhos medidas que o Banco de Portugal venham a tomar no sentido de tornar o crédito mais responsável e prevenir endividamento dos cidadãos.