Banco de Portugal favorável à subida da taxa de juro já em junho. "É importante, quando existem possíveis espirais inflacionistas, que atuemos rapidamente"

Banco de Portugal favorável à subida da taxa de juro já em junho. "É importante, quando existem possíveis espirais inflacionistas, que atuemos rapidamente"

Alinhado com a tendência europeia, o Governador do Banco de Portugal (BdP) é favorável a um aumento da taxa de juro já em junho, durante a próxima reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE).

Rosário Lira - RTP Antena 1 /

Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas

Em entrevista ao programa Conversa Capital, da Antena 1 e do Jornal Negócios, Álvaro Santos Pereira diz que, atualmente, a principal preocupação é a inflação e continuará a ser, mesmo que o conflito no Médio Oriente termine porque vai continuar a produzir efeitos.

Num contexto de continuação de subida de preços, a política monetária deve atuar "mais cedo do que mais tarde". E acrescenta que "é importante que, quando existem possíveis espirais inflacionistas, atuemos rapidamente".

Admite que, a verificar-se esta situação, a remuneração das poupanças também podia ser revista, ao contrário do que aconteceu no passado. E neste sentido revela que, dentro de algumas semanas, os três reguladores financeiros vão apresentar um relatório sobre como captar poupança de longo prazo. Não tem dúvidas ao afirmar: "a remuneração à poupança neste país é muito baixa".
Sobre a situação em Portugal e, ao contrário do que foi já apontado por outros Governadores, Álvaro Santos Pereira não vê que exista um risco de estagflação. Não há desaceleração da economia, há é uma aceleração dos preços. 

Álvaro Santos Pereira considera que o choque energético teria ainda mais impactos na Europa se não estivéssemos a beneficiar dos investimentos resultantes do choque da Inteligência Artificial (IA). E por isso, o Governador diz que em relação a Portugal está mais preocupado com a inflação do que com a economia.
 Sobre o regresso aos défices, considera que as tempestades e os apoios às empresas e às famílias, na sequência da crise energética, vão ter impacto na questão orçamental.
 O Governador do Banco de Portugal considera que tem existido equilíbrio entre os apoios dados e as contas certas e traça o seguinte retrato: "a economia continua resiliente, vejo o rendimento das famílias a crescer, vejo as empresas a desendividarem-se, vejo o sector financeiro com bastante margem e liquidez e a divida pública a baixar".
 Ainda assim não tem dúvidas: "nós temos de arranjar maneira de subir os salários neste país", numa referência ao salário médio no sector privado.
 Nesta entrevista, o Governador pede aos governantes e aos sindicatos para olharem para o exemplo nórdico e terem uma atitude reformista. Para a legislação do trabalho defende o conceito de flexisegurança que protege mais o trabalhador, não protegendo o posto de trabalho e diz que em Portugal o sistema continua a ser "muito rígido" do "meio do século XIX" e, "eu prefiro proteger as pessoas e não estar a proteger ideologias".
 Diz que "é ridículo" e "uma ignorância total" achar-se que em Portugal se quer privatizar a Segurança Social. E acrescenta: "eu gostaria que nos deixássemos de ideologias e que os principais partidos portugueses, os sindicatos e patrões fizessem reformas estruturais que ajudassem o país a ser um país mais moderno e produtivo".
 O Governador do BdP, Álvaro Santos Pereira, quer que a taxa de crescimento do crédito à habitação, que atualmente se situa nos dez por cento, abrande. Esse é o objetivo das recomendações em estudo ao nível das maturidades e das taxas de esforço que serão publicadas nas próximas semanas.
 Em entrevista ao programa Conversa Capital, da Antena1 e do Jornal de Negócios, Álvaro Santos Pereira fala em "tentação de facilitar demasiado" e em relaxamento das regras por parte de alguns bancos, nomeadamente ao nível das maturidades e do LTV para lembrar: "não podemos voltar a cometer os erros do passado".
 Reitera que estas recomendações devem ser vinculativas e acrescenta que, se os bancos não cumprirem, serão penalizados.
Nesta entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, o Governador do BdP revela ainda que, no próximo ano, quer já ter disponíveis, para toda a população, comparadores de comissões entre bancos disponíveis no site do BdP e admite que haverá também novas regras sobre a mobilidade de contas para fomentar essa mobilidade aconteça.
 À Antena1 e ao Jornal de Negócios, Álvaro Santos Pereira fala no caso BES como a "maior fraude financeira que o país viveu" e elogia a atuação dos técnicos e do então Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa.
 Sobre o caso da compra de ações de empresas do sector não financeiro, já depois da tomada de posse e que motivou os partidos a aprovarem uma audição com o Governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira explica o que aconteceu, fala em "mal-entendido" da sua parte e adianta que preferia que não tivesse acontecido. Acrescenta que tentou perceber junto da comissão de ética do BCE se estava em causa uma falta grave e que atitude deveria tomar. Tendo atuado proactivamente e tendo sido transparente, a demissão do cargo nunca esteve na sua mente.
Entrevista conduzida por Rosário Lira, da Antena 1, e Paulo Moutinho, do Jornal de Negócios.
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