Banco Mundial alerta para subida da inflação e abrandamento económico
O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, avisou hoje que a guerra no Médio Oriente levará a um agravamento da inflação e a um abrandamento do crescimento económico, afetando quer os países emergentes, quer os mais desenvolvidos.
"Os mercados emergentes estão, de certa forma, sob maior pressão, porque já partiram de uma situação orçamental e de endividamento mais complexa do que alguns dos países mais desenvolvidos, mas não se pense que o mundo desenvolvido não será afetado", avisou, numa iniciativa promovida pelo `think tank` norte-americano Conselho Atlântico, em Washington, nos Estados Unidos.
Em antecipação às reuniões da Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial, que decorrem entre 13 e 18 de abril, Ajay Banga sublinhou que a guerra no Médio Oriente, além do impacto nas pessoas que vivem na região, também afeta as populações de Ásia e África, as "pessoas que dependem principalmente de petróleo, energia, fertilizantes, enxofre, hélio e outros produtos importados".
"Dependendo do rumo que [o conflito] tomar, faça-se o que se fizer, haverá um certo grau de inflação elevada e um certo grau de crescimento mais baixo", disse, alertando para os efeitos da guerra nas diferentes geografias, para além "da crise humanitária das pessoas e dos países diretamente afetados pelo conflito".
Na conferência de hoje, na qual falou sobre o papel do Banco Mundial no apoio à criação de emprego e ao desenvolvimento económico, Ajay Banga foi interrompido duas vezes por ativistas da plateia, de onde se ouviram palavras sobre a guerra em Gaza.
Em janeiro, antes da intervenção dos Estados Unidos no Irão, o Banco Mundial previu que a economia global deverá crescer 2,6% este ano, abrandando face a 2025, com um desempenho mais fraco nos Estados Unidos, zona euro e Japão, seguida de uma melhoria para 2,7% em 2027.
Em 01 de abril, num comunicado conjunto com o FMI e a Agência Internacional de Energia (AIE), a instituição anunciou a criação de um grupo formado pelas três organizações destinado a "maximizar a resposta" aos "impactos energéticos e económicos da guerra no Médio Oriente".
O grupo procura "avaliar a gravidade dos impactos nos diferentes países e regiões" a partir de dados sobre preços da energia, fluxos comerciais e outras informações, "coordenar um mecanismo de resposta" (incluindo a "avaliação de potenciais necessidades de financiamento") e mobilizar "outros parceiros multilaterais, regionais e bilaterais" para ajudar na coordenação da resposta a países mais afetados.