Banco Mundial quer que a economia de Timor-Leste deixe de depender do petróleo
Timor-Leste tem de desenvolver o setor privado, criar emprego, aumentar as receitas internas e travar o défice orçamental para que as receitas petrolíferas deixem de sustentar o crescimento económico, refere um relatório hoje divulgado pelo Banco Mundial.
No relatório económico de Timor-Leste, denominado "Elevando o nível: Como a adesão à ASEAN Pode Apoiar a Transformação Económica de Timor-Leste", o Banco Mundial salienta que a "era das receitas petrolíferas" está a acabar e que o "país deve construir uma base sólida para a prosperidade".
O saldo do Fundo Petrolífero de Timor-Leste era, em dezembro de 2025, de 18,6 mil milhões de dólares, mas as receitas petrolíferas caíram para apenas 36 milhões de dólares no final do ano passado, após o encerramento do campo Bayu-Udan.
Atualmente, e tendo em conta que o projeto Greater Sunrise e o seu conceito de desenvolvimento ainda estão em discussão, as receitas do Fundo Petrolífero são provenientes de retornos financeiros de investimentos.
"Isto destaca a necessidade urgente de aumentar a disciplina orçamental, melhorar a mobilização de receitas internas e acelerar o investimento que impulsione o crescimento para garantir que o fundo possa continuar a apoiar a estabilidade macroeconómica a longo prazo", indica o relatório do Banco Mundial.
Segundo o Banco Mundial, Timor-Leste está a utilizar as reservas para sustentar o crescimento em vez de construir uma economia forte.
O Governo timorense também tem advertido que o fundo deverá esgotar-se em 2034 e que são precisas medidas de financiamento para o prolongar e fazer face às despesas do país.
No relatório, o Banco Mundial destaca três prioridades para determinar se a economia consegue passar um crescimento impulsionado pela produtividade e pela criação de emprego.
Em primeiro lugar, o Banco Mundial considera ser prioritário "viabilizar o crescimento liderado pelo setor privado" e a criação de emprego, através de um melhor acesso à terra ou propriedade, transparência no licenciamento, acesso ao financiamento, concorrência e qualificação profissional.
"Sem um setor privado mais forte, o crescimento continuará a ser impulsionado pelo consumo e a geração de emprego continuará aquém das necessidades de uma população jovem e em rápido crescimento", salienta.
Em segundo lugar, o relatório propõe a construção de uma base de receitas domésticas fiável, defendendo que a introdução do IVA, que já está a ser planeada pelo Governo, é a "medida mais importante".
Por último, o Banco Mundial considera também como "prioritário restaurar a sustentabilidade orçamental através da orientação da despesa".
"A prioridade imediata é travar a crescente défice orçamental e estabelecer uma estrutura credível a médio prazo com tetos de despesa pública claros e comunicados publicamente, que coloquem o défice numa trajetória descendente", defende o relatório.
O Banco Mundial considera também necessário um "programa externo" para que aquelas reformas sejam sustentadas e bem implementadas.