BFA, do português BPI, vai abrir capital a investidores angolanos em 2005

BFA, do português BPI, vai abrir capital a investidores angolanos em 2005

O Banco de Fomento Angola (BFA), detido na totalidade pelo grupo português BPI, deve abrir o seu capital social a investidores angolanos durante o próximo ano, logo que comece a funcionar a Bolsa de Valores de Luanda.

Agência LUSA /

"Temos muito interessados em entrar no nosso capital, mas queremos que a operação seja o mais transparente possível, por isso vamos esperar até à abertura da Bolsa de Luanda", disse hoje Fernando Teles, administrador-residente do BFA, em declarações à Lusa na capital angolana.

A futura Bolsa de Valores de Luanda chegou a ser anunciada para este ano, mas a sua abertura tem vindo a ser sucessivamente adiada, sendo agora apontado o segundo trimestre de 2005 para a entrada em funcionamento.

O BFA promoveu hoje em Luanda uma reunião de quadros para analisar o desempenho do banco e a sua estratégia para os próximos anos, que contou com a presença de Fernando Ulrich, presidente do Grupo BPI.

"Angola está a ter uma evolução muito positiva e nós queremos estar à altura dos desafios que se colocam", afirmou Ulrich, numa conferência de imprensa à margem dos trabalhos do encontro de quadros do banco.

Fernando Ulrich salientou a importância do BFA no contexto do Grupo BPI, revelando que o banco angolano foi o que mais contribuiu para os lucros do grupo financeiro português nos primeiros nove meses deste ano.

"O nosso grande desafio, como para qualquer banco comercial, é servir bem os nossos clientes e, em Angola, onde a percentagem da população que utiliza os serviços bancários ainda é reduzida, espera- se um aumento significativo nos próximos anos devido à paz e ao desenvolvimento do país", afirmou.

Nesse sentido, o presidente do Grupo BPI referiu que "o maior risco que o BFA corre é não conseguir andar tão depressa como Angola".

"É isso que queremos evitar", frisou Fernando Ulrich, numa alusão ao estudo que o BFA encomendou para analisar o seu actual desempenho no mercado angolano, que está a servir de base para a definição da estratégia a seguir nos próximos anos.

Actualmente, o mercado bancário em Angola representa cerca de 2,2 mil milhões de dólares, mas prevê-se que cresça para 7 mil milhões de dólares nos próximos anos, especialmente devido à nova legislação que as autoridades angolanas pretendem implementar no sector petrolífero, que vai obrigar as companhias que operam em Angola a depositar no país os valores resultantes da sua produção.

Actualmente, as companhias petrolíferas apenas depositam em bancos angolanos as verbas necessárias para liquidar impostos e outras despesas que têm no país.

"O BFA vai ser capaz de partilhar os negócios que a nova legislação vai trazer", frisou Fernando Ulrich, para quem "a concorrência é um grande estímulo".

No mesmo sentido, Fernando Teles, administrador-residente do BFA em Angola, defendeu que este é "um falso problema", salientando não acreditar que "os grandes bancos norte-americanos venham instalar- se em Angola só para movimentar o dinheiro do petróleo".

Até porque, segundo Fernando Teles, muitas das companhias petrolíferas que operam em Angola já são clientes do BFA.

O BFA é o maior banco comercial a operar em Angola, sendo o primeiro em depósitos, com uma quota de 30 por cento do mercado, e o segundo em crédito concedido, com uma quota de 26 por cento.

O total de créditos concedidos ascendia em finais de Agosto a 342 milhões de dólares, enquanto os depósitos dos seus mais de 165 mil clientes totalizavam 747 milhões de dólares.

O Banco de Fomento Angola possui actualmente 31 balcões abertos em Angola, dos quais 14 em Luanda e 17 nas províncias, mas prevê abrir até ao final deste ano mais sete agências.

Em Luanda serão abertas quatro novas agências, enquanto nas províncias está prevista até Dezembro a abertura de três novos balcões.

O BFA, que possui actualmente 520 funcionários, foi criado em 2002, na sequência da transformação do Banco de Fomento Exterior numa instituição de direito angolano.

O Banco de Fomento Exterior iniciou a sua actividade em Angola em 1993, quando abriu um escritório de representação em Luanda, tendo os primeiros balcões sido inaugurados em 1997.

FR.

Lusa/Fim


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