BMW prevê eliminação de 8.000 postos de trabalho até ao final de 2027

BMW prevê eliminação de 8.000 postos de trabalho até ao final de 2027

A saída destes milhares de trabalhadores vai permitir à BMW uma redução significativa dos custos a partir de 2028. A gigante da indústria automóvel tem 150.000 funcionários por todo o mundo.

Joana Raposo Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Maxim Shemetov - Reuters

A fabricante automóvel BMW vai propor saídas voluntárias a cerca de metade dos seus colaboradores na Alemanha. A empresa pretende suprimir cerca de 8.000 postos de trabalho até ao final de 2027, abrangendo apenas funcionários com funções administrativas ou do setor de desenvolvimento.

Fonte da empresa revelou esta quarta-feira à agência France-Presse que cerca de 40.000 dos 85.000 colaboradores da BMW na Alemanha, excluindo o pessoal de produção, vão receber a partir de outubro uma proposta de saída voluntária. O plano foi acordado entre a direção e os representantes dos trabalhadores após cerca de seis semanas de negociações, segundo a mesma fonte.

A decisão chega depois de, em junho, a BMW ter revisto em baixa as suas previsões de rentabilidade, na sequência de uma nova deterioração das suas atividades na China.

As entregas do grupo no país, o seu principal mercado, caíram 30 por cento em termos homólogos no segundo trimestre, depois de terem atingido, em 2025, o seu nível mais baixo desde 2017.

No início de julho foi revelado que a BMW vendeu 1.156.742 veículos das marcas BMW, Mini e Rolls-Royce no primeiro semestre, menos 4,2 por cento do que no mesmo período do ano anterior, penalizado pela quebra das vendas no mercado chinês.Volkswagen e Mercedes também revelam dificuldades
A indústria automóvel alemã tem vindo a revelar sinais de crise, sendo especialmente afetada pela concorrência chinesa no segmento dos veículos elétricos.

Os desafios têm também passado pela queda da procura, a pressão sobre as margens dos veículos elétricos e os custos de produção elevados, levando vários fabricantes e fornecedores alemães a anunciarem reestruturações.

O maior grupo europeu, a Volkswagen, prevê até 100.000 cortes de postos de trabalho. A Mercedes-Benz também lançou um programa de saídas voluntárias.

Segundo a consultora EY, a indústria alemã eliminou no geral 124.000 postos de trabalho no ano passado, com as reduções a concentrarem-se sobretudo no setor automóvel.

Os fabricantes alemães têm procurado reforçar a sua presença em países com custos mais baixos, como a Hungria, onde a BMW abriu recentemente uma nova fábrica e onde a Mercedes-Benz acaba de ampliar as suas instalações em Kecskemét.

"Temos de continuar a fazer todos os esforços para reduzir custos, de modo a oferecer os nossos produtos de qualidade a preços competitivos", declarou na terça-feira o presidente do Conselho de Administração da Mercedes-Benz, Ola Kallenius.

c/ agências
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