Bolsa de Lisboa cai 4,11% com receio que falência possa contagiar bolsas europeias
Lisboa, 15 Set (Lusa) - A Euronext Lisboa descia 4,11 por cento a meio da sessão de hoje, uma tendência generalizada nas bolsas europeias devido ao adensar da crise do sector financeiro e receios de contágio da falência da Lehman Brothers, quarto banco norte-americano.
Os analistas do mercado dizem que são os sinais de que a crise financeira se acentua, o nervosismo e as incertezas no sistema financeiro e económico que estão a provocar a derrocada nas bolsas europeias.
Todos os índices de referência na Europa caíam mais de quatro por cento, isto ainda antes da abertura dos mercados norte-americanos.
A Euronext Lisboa perdia 4,11 por cento, com todos os títulos em queda e a banca, as energéticas e as construtoras a liderar as perdas.
Galp Energia, a Teixeira Duarte, o Banco Espírito Santo, EDP Renováveis, Mota Engil e EDP perdiam entre 6,0 e 5,0 por cento.
Seguiam-se, com perdas próximas de 4,0 por cento e até 5,0 por cento a Altri, o BCP, a Soane Industria, o BPI.
Os eventos recentes, incluindo a insolvência da Lehman Brothers, a tomada de controlo da Fannie Mae e Freddie Mac pelo Tesouro dos EUA e as intervenções dos bancos centrais "mostram que a crise do sector financeiro não pára de se adensar", referiram os analistas do Millennium Investment.
"A insolvência da Lehamn brothers [quarto maior banco de investimento dos EUA] e o ´salvamento´ da Merril Lynch pelo Bank of América [outro banco de investimento americano] originaram fortes receios de que se assista a um contágio a outras instituições que se encontram em dificuldades", explicam os analistas do BPI.
"Os mercados accionistas começam a temer pela AIG, a maior seguradora mundial, e pela Washington Mutual", indicam numa nota sobre os mercados os analistas do BPI.
Na tentativa de acalmar os mercados financeiros, a Reserva Federal anunciou um conjunto de medidas adicionais de concessão de liquidez, incluindo a aceitação de acções como garantia de empréstimos.
Outro dado relevante foi o anúncio da constituição de um fundo para cedência de liquidez ao mercado, por parte de dez dos maiores bancos mundiais, e o BCE e o Banco de Inglaterra (BdI) anunciaram também injecções adicionais de liquidez.
ANP.