Bombeiros de Bragança reclamam ajuda do Governo para suportar aumento do combustível
A subida do preço dos combustíveis está a aumentar as despesas das corporações de bombeiros transmontanas, que reclamam, ao Governo, uma atualização do valor pago por quilómetro, sob pena de prejuízos de milhares de euros, afirmaram, hoje, à Lusa.
Os bombeiros de Bragança, a maior corporação do distrito, fazem diariamente seis mil quilómetros na prestação de serviços, o que corresponde a uma viagem, de ida e volta, a Kiev, na Ucrânia.
Só no mês de janeiro, de acordo com o comandante da corporação, Carlos Martins, foram feitos mais de 1.800 serviços.
Tendo em conta o transporte de doentes urgentes e não urgentes, por mês, os quilómetros percorridos e o aumento considerável do preço dos combustíveis, prevê-se que em abril a despesa aumente milhares de euros.
"Nós gastamos em média, por mês, 25 mil euros de gasóleo. (...) No final do mês de março não se vai notar, porque o aumento foi a meio do mês, mas se continuar assim, o mês de abril terá um acréscimo à fatura de aproximadamente cinco mil euros", adiantou, à Lusa, o comandante dos bombeiros de Bragança.
Segundo Carlos Martins, o Governo paga, em média, cerca de 66 cêntimos por quilómetro. Um valor que defende que deve ser atualizado, uma vez que continuam a cobrar o mesmo preço aos utentes, no transporte de doentes, e agora a despesa é maior.
"Pode haver corporações que não consigam aguentar o serviço de transporte de doentes, se não for rentável, porque depois não é só o custo do gasóleo, também há outros custos associados", afirmou.
Na Associação Humanitária dos Bombeiros de Mirandela também já se começam a fazer contas ao impacto "muito muito significativo" que o aumento do preço dos combustíveis está a causar.
Segundo o presidente da associação humanitária, Sílvio Santos, quando o preço dos combustíveis atingiu valores elevados, devido à guerra na Ucrânia, a fatura da corporação aumentou entre "30 a 40%" e desta vez não espera que seja diferente.
Por mês, a corporação de bombeiros de Mirandela gasta entre 10 a 12 mil litros de combustível.
Em declarações, à Lusa, o responsável disse que, antes desta subida dos combustíveis, o preço pago, pelo Governo, por quilómetro já era "claramente abaixo daquilo que seria o preço justo para conseguir pagar o serviço prestado", reclamando "mais 15 cêntimos".
Agora, face à conjuntura, reivindica "um apoio extraordinário que se fizesse sentir de forma quase imediata".
"Seja o governo que for, acho que terá que, quase de forma imediata, reagir e reajustar esta forma de compensar as associações que tanto dão ao nosso país", vincou.
Até porque, salientou, os bombeiros não se podem comparar às empresas, que para fazer face ao aumento das despesas, sobem também o preço dos produtos ou serviços fornecidos.
"O preço do quilómetro é tabelado, é definido governamentalmente, e, como tal, temos um custo enorme que dispara e não vamos conseguir fazer refletir isso no preço de venda do serviço que prestamos e isso é o que causa o grande estrangulamento financeiro das associações", apontou.
À Lusa, o presidente da Federação Distrital dos Bombeiros de Bragança, Diamantino Lopes, reiterou que este aumento dos combustíveis está a ter um "impacto negativo" nos custos operacionais das corporações.
Adiantou ainda que, este sábado, realizar-se-á na Guarda, um Conselho Nacional da Liga de Bombeiros Portugueses, onde pretendem abordar o problema, aguardando que seja agendada uma reunião com o ministro da Administração Interna.