BPI antevê queda de 10% na produção de crédito com novas regras do BdP
O BPI prevê que as novas diretrizes do Banco de Portugal (BdP) para a concessão de empréstimos, em vigor a partir de agosto, levem a uma queda de 10% na produção de crédito do banco.
"Ouvi as declarações do presidente do BCP, que falou em 5% de impacto. No caso do BPI, será maior", disse hoje o presidente executivo do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, durante a conferência de apresentação de resultados semestrais, dizendo que "ultrapassará o impacto de 10% na contratação".
Na véspera, durante a divulgação de resultados dos primeiros seis meses do ano, também o presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo, antecipou que a alteração das regras tenha um impacto de 10% do volume da produção de crédito do banco público.
Oliveira e Costa escusou-se a reagir às orientações do banco central, dizendo que não iria "comentar nada do que são as posições do supervisor", nem a visão que o "senhor governador", Álvaro Santos Pereira, tem sobre a concessão de crédito de habitação.
O gestor apenas referiu que não há qualquer problema com o crédito para a compra de casa, nem antevê que tal venha a acontecer no curto e no médio prazo, sublinhando que o tema que se coloca é a falta de oferta de imóveis, que diz exigir como prioridade a construção de mais habitação.
O Banco de Portugal decidiu restringir as regras de concessão de crédito depois de detetar alguns riscos nos valores, no ritmo da concessão de crédito à habitação e no perfil dos clientes bancários.
Segundo as novas recomendações, a percentagem máxima do rendimento das famílias que pode ficar destinada ao pagamento do empréstimo da casa baixa de 50% para 45%. Este limite é calculado num cenário de maior esforço, em que há um agravamento das taxas de juro em 1,5 pontos percentuais.
As orientações do banco central admitem exceções, permitindo que as instituições concedam um empréstimo com uma taxa de esforço superior, desde que isso só aconteça até 10% do montante total de créditos concedidos durante um semestre.
O administrador do BPI Francisco Matos lembrou que, até agora, a exceção permitia ir até 15% dos créditos e que, apesar disso, "em 2025 só existiu 6% de exceções", quando a taxa de esforço podia ir até 50%.
Além deste ajustamento na taxa de esforço, as diretrizes trazem mudanças na definição das maturidades dos empréstimos.
A partir de 01 de agosto, haverá dois escalões: as pessoas até aos 35 anos poderão pedir um empréstimo com uma maturidade de 40 anos, e as pessoas com mais de 35 anos podem pagar as prestações, no máximo, durante 35 anos.
Até agora, existiam três escalões: o empréstimo concedido aos jovens até aos 30 anos podia ter uma maturidade de até 40 anos, na faixa etária acima de 30 e até 35 anos, o pagamento podia durar até 37 anos, e acima dos 35 anos a duração máxima podia ser de 35 anos.