Budapeste arrasta euro e bolsas europeias

Budapeste arrasta euro e bolsas europeias

O anúncio do Governo húngaro de que o país pode estar à beira da bancarrota, numa situação semelhante à da Grécia, arrastou hoje os mercados europeus para terrenos negativos, com a moeda única a bater em níveis de Março de 2006, para valer 1,20 face ao dólar norte-americano. Esta sexta-feira, um porta-voz do Executivo de Budapeste apontava ao anterior governo do país "manipulação" e "mentiras" relativamente às contas do Estado.

RTP /
Bolsas pressionadas pela perspectiva de incumprimento já assumida pelo Executivo de Budapeste EPA

O dia acabou negativo nos mercados europeus, com o Ibex-35 a de Madrid a revelar-se nesta sexta-feira a praça mais fragilizada, com perdas de 3,80 por cento, para 8923,40 pontos. Em Milão, o Mib caiu 3,79 por cento, para 18 734 pontos.

Na lista de quedas, surge logo após Paris com uma queda de 2,86 por cento, para 3455,61 pontos, seguida de Frankfurt, que cedeu 1,78 por cento, para 2375,56 pontos, e Londres a recuar 1,63 por cento, para 5126,00 pontos.

Pressionado pela perspectiva de incumprimento da Hungria, o Euro surgia hoje a negociar a níveis de Março de 2006, abaixo dos 1,2 dólares.

PSI-20 fecha a cair 2,2 por cento

Em Lisboa, a praça portuguesa encerrou com o principal índice a recuar 2,20 por cento, para 6974,43 pontos, com todos os títulos do PSI-20 no vermelho.

A Sonaecom liderou as quedas (6,05%) no fecho de uma semana em que entrou a ganhar mais de 10 por cento, após rumores de fusão com a Zon Multimédia.

Quanto aos títulos da banca, o BCP registou perdas de 3,02%, o BES cedeu 2,99% e o BPI recuou 2,47%.

A EDP caiu 2,74%, a EDP Renováveis deslizou 2,01%, a REN recuou 0,75% e a Galp perdeu 0,62%.

Hungria à beira da bancarrota

O alerta sobre a situação da Hungria partiu do próprio Executivo, que apontou culpas à anterior equipa governamental, acusada de ter manipulado rãs contas do Estado e mentido sobre a real situação da economia do país.

Nas palavras do porta-voz do primeiro-ministro Viktor Orban, "não é nenhum exagero" falar em bancarrota.

"É claro que a economia está numa situação grave, precisamos de uma tábua rasa para formular o nosso plano de acção para a economia", apontou Peter Szijjarto em declarações à Bloomberg.

"As instruções são claras: cortes de impostos, simplificação do sistema fiscal, apoiar o crescimento económico e aumentar da competitividade", anunciou o porta-voz.

Uma comissão de inquérito deverá apresentar este fim-de-semana um relatório preliminar sobre o estado da economia turca, dados que constituirão a primeira base de trabalho para um plano de recuperação do Executivo de Budapeste.

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