Cada dia conta para a Grécia respeitar os seus compromissos
A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que "agora cada dia conta" para a Grécia reforçar "os seus esforços" e respeitar os compromissos. Numa entrevista à televisão ARD, Merkel falou da pouca confiança manifestada pela Grécia nos últimos dois anos e meio.
"Neste contexto, agora cada dia conta para reforçar verdadeiramente os esforços e para aplicar o que foi prometido", declarou Merkel, ao canal público ARD, questionada sobre a confiança que tem no primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, que recebeu na sexta-feira em Berlim.
"Nos últimos dois anos e meio a confiança foi bastante abalada", comentou. "Esperamos o relatório da `troika`" (UE, BCE, FMI), adiantou, precisando que disse ao primeiro-ministro grego "que ainda há muito a fazer".
Numa altura em que no seio da coligação que lidera algumas vozes falam abertamente da saída da Grécia da zona euro ou se mostra algum ceticismo em relação à saída da crise, Merkel disse que a Europa "está numa fase decisiva" e "cada um deve medir as suas palavras".
Numa entrevista ao jornal "Bild am Sonntag", o secretário-geral da CSU, a congénere bávara da União Cristã Democrata de Merkel, Alexander Dobrindt, afirmou que vê "a Grécia fora do euro em 2013".
Sem confirmar as informações que surgiram na imprensa sobre o seu desejo de uma cimeira europeia para preparar um novo tratado, tendo em vista uma maior integração na União Europeia (UE), Merkel declarou: "Não peço uma cimeira, quero apenas, desde há algum tempo, que não fiquemos parados" no processo de construção europeia.
"Agora trata-se de saber quais serão as próximas etapas", disse a chanceler. "Precisamos de mais obrigações comuns", de "mais coerência" para diminuir as diferenças de competitividade no seio da UE, acrescentou.
"Essa vai ser a nossa missão nos próximos meses", disse Merkel.
Enquanto o Tribunal Constitucional alemão verifica a constitucionalidade do mecanismo europeu de estabilidade e do pacto orçamental, esperando-se uma decisão para 12 de setembro, Merkel insistiu que esses mecanismos são "absolutamente necessários".
"Posso dizer que apresentámos bons argumentos (ao tribunal), estou convencida que o pacto orçamental garante mais segurança para os compromissos que fizemos na Europa", defendeu.