Câmara do Porto avisou Vinci que terrenos onde está aeroporto estão em seu nome

Câmara do Porto avisou Vinci que terrenos onde está aeroporto estão em seu nome

Porto, 20 mai (Lusa) -- A Câmara do Porto já informou a Vinci, vencedora da corrida à privatização da ANA, de que tem registado em seu nome cerca de 88% da área total que expropriou para a construção do aeroporto do Porto.

Lusa /

A Câmara do Porto deu "conhecimento formal à ANA -- Aeroportos de Portugal e à entidade vencedora do processo de privatização - a Vinci -- da existência dos registos a favor de uma área correspondente a sensivelmente 88,2% da área total por si expropriada", afirma a autarquia no âmbito da providência cautelar interposta no Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto, que a Lusa hoje consultou.

Com esta providência, interposta em dezembro, a Câmara do Porto pretende que o Estado seja condenado a pagar-lhe cerca de 67,8 milhões de euros, provenientes da quantia que vai receber no âmbito da operação da privatização da ANA.

O Ministério Público (MP) tinha considerado existir "falta de fundamento legal" para a autarquia juntar ao processo os registos em seu nome de terrenos atualmente afetos ao aeroporto Sá Carneiro.

A Câmara alega agora que a junção dos registos "é, não apenas pertinente e necessária, como processualmente adequada", afirmando que "o local próprio para uma eventual impugnação dos (legítimos) registos a favor da autarquia não é o presente processo cautelar".

Acrescenta também que a ANA e a Vinci, "ou mesmo o Estado, podem, caso o pretendam, recorrer aos meios provisórios no Código do Registo Predial para impugnar os aludidos registos".

A Câmara do Porto reforça a ideia de que não pretende com esta providência cautelar, bem como com a ação principal, "ver reconhecido o seu direito de propriedade sobre qualquer parcela de terreno".

O "âmago dos presentes autos centra-se num património -- apenas na parte referente ao aeroporto do Porto -- que estava na posse e era gerido e explorado, ainda que indiretamente", pelo Estado.

Património que a Câmara do Porto, em parceria com o Estado, "comparticipou nos custos de aquisição dos terrenos e de construção da infraestrutura aeroportuária que neles veio a ser implementada", e que vai ser entregue a um privado, sustenta.

A autarquia considera ainda "que não têm qualquer fundamento" os pedidos efetuados pelo MP ao tribunal.

O MP pediu ao tribunal que solicitasse à 2.ª Conservatória do Registo Predial do Porto "todos os elementos" que antecederam os registos, bem como a "fundamentação apresentada pela autarquia, de modo a apurar-se como foi possível estes registos ocorrerem agora" e que notificasse a ANA "para esclarecer o que tiver por conveniente quanto a tais registos" prediais.

A Câmara do Porto apresentou junto do TAF 45 documentos emitidos por conservatórias do registo predial referentes a parcelas de terrenos em seu nome, que totalizam uma área de cerca de 440 mil metros quadrados. O MP opôs-se à apresentação desta "peça processual", além de considerar que os direitos reclamados pela autarquia já prescreveram.

Nesta providência, a Câmara alega ser de "elementar justiça" ter direito a "uma pequeníssima parte" da "astronómica quantia" que o Estado vai receber com o negócio, "pela sua real e efetiva comparticipação na construção" do aeroporto do Porto.

"Reclama e exige" ainda um tratamento idêntico ao que foi dado a Lisboa, recordando que, no âmbito do processo de privatização da ANA, o Estado e a Câmara de Lisboa chegaram a um acordo, em 2012, tendo "a soma dos valores das prestações assumidas pelo Estado perante o município" totalizado "286 milhões de euros".

Grande parte dos terrenos do aeroporto Francisco Sá Carneiro foram expropriados pela Câmara do Porto apesar de integrarem os territórios da Maia e Matosinhos.

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