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Candidato à Fed defende independência e quer novas políticas de contenção da inflação

Candidato à Fed defende independência e quer novas políticas de contenção da inflação

O candidato do Presidente dos EUA, Donald Trump, para liderar a Reserva Federal (Fed) americana, Kevin Warsh, comprometeu-se hoje a proteger a independência da instituição em relação às taxas de juro e defendeu outras políticas para conter a inflação.

Lusa /

"A independência da política monetária é essencial", disse Warsh, na sua declaração inicial ao Comité Bancário do Senado e abordando a principal questão da sua nomeação.

"Não creio que a independência da política monetária esteja ameaçada quando os representantes eleitos expressam as suas opiniões sobre as taxas", referiu.

Warsh afirmou, citado pela agência EFE, que a Fed continua a sofrer com os erros de política monetária cometidos durante a pandemia: "Ficou claro que estava errada". 

O candidato, escolhido por Trump para substituir Jerome Powell, criticou a Fed por não ter cumprido a sua meta de inflação desde a pandemia.

"Não atingiu o objetivo, e ainda estamos a lidar com o legado dos erros de política monetária cometidos em 2021 e 2022. Uma vez permitida a inflação entrar na economia, torna-se mais dispendioso e difícil reduzi-la", assegurou.

Defendeu "uma mudança de regime na liderança política", apontando "um quadro inflacionista diferente e novo", disse Warsh, sem avançar detalhes.

Os senadores que questionaram Warsh salientaram o seu envolvimento na crise financeira de 2007-2008, quando integrava a Fed, como sendo um ponto-chave da audiência, pois, como apontou a senadora Elizabeth Warren, democrata do Massachusetts, Warsh trabalhou na entidade "antes, durante e depois do `crash`".

Warren, que foi uma das senadoras mais críticas na sessão de hoje, concentrou-se durante no caráter independente do presidente da Fed: "Vamos olhar para a sua independência e coragem. Vamos começar com algo simples, Sr. Warsh, Donald Trump perdeu as eleições de 2020?", questionou.

O candidato à presidência da Fed recusou-se a dizer se Trump perdeu as eleições de 2020, quando Warren lhe pediu repetidamente para confirmar os resultados, acrescentando que "durante anos, Trump insistiu falsamente que a sua derrota para o ex-Presidente Joe Biden em 2020 foi fraudulenta. A independência exige coragem". 

Warsh afirmou que "sob nenhuma circunstância" seria um "fantoche" de Trump, termo que Warren usou várias vezes durante a audiência.

"Sinto-me honrado que o Presidente me tenha nomeado para um cargo, e serei um ator independente se for confirmado como presidente da Reserva Federal".

A independência de Warsh e a capacidade de tomar as suas próprias decisões, à margem da Casa Branca, foram um dos eixos da audição no Senado.

"O presidente nunca me pediu para predeterminar, comprometer, definir ou decidir qualquer taxa de juro em nenhuma das nossas conversas. Nem eu alguma vez concordaria em fazê-lo", disse Warsh.

Warren e outros senadores democratas também questionaram Warsh sobre a sua fortuna, que o tornaria um dos presidentes mais ricos da Fed. O nomeado respondeu assegurando que parte da sua fortuna está sujeita a acordos de confidencialidade.

Horas antes da audiência, numa entrevista à CNBC, Trump reconheceu que ficaria "desiludido" se a Fed, sob a liderança de Warsh, não cumprisse a promessa de baixar as taxas de juro.

"Demasiados responsáveis da Fed, tanto atuais como antigos, opinam antecipadamente sobre onde acham que as taxas de juro devem estar na próxima reunião, no próximo trimestre e no próximo ano (...), acho que isso é bastante contraproducente", disse Warsh.

 

 

 

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