Caracas espera que Portugal e as empresas portuguesas participem na reconstrução do país
A presidente interina da Venezuela Delcy Rodríguez expressou ao secretário de Estado das Comunidades Portuguesas (SEC), Emídio Sousa, a esperança de contar com Portugal e com as empresas portuguesas para reconstruir o país, assolado recentemente por dois sismos.
"Fiquei muito surpreendido com as autoridades venezuelanas. Falei com quatro ministros e ministras, com dois ou três vice-ministros e com a presidente em exercício Delcy Rodríguez. Fui recebido por todos, com muita simpatia, e notei uma verdadeira vontade de que Portugal e as empresas portuguesas participem no esforço da reconstrução e de desenvolvimento económico futuro", disse à Lusa Emídio Sousa.
O SEC falava à Agência Lusa em Caracas, onde hoje terminará uma visita de quatro dias, centrada em reforçar a atenção e solidariedade de Portugal para com os afetados pelo duplo sismo que abalou a Venezuela e durante a qual manteve contactos com diversas autoridades locais, representantes da comunidade portuguesa e do movimento associativo português, assim como com parceiros internacionais presentes no terreno.
"Fiquei muito impressionado porque em dois dias tive um conjunto de contatos que é quase inédito", disse.
O SEC explicou ainda que percebeu também "que as sanções económicas que ainda não foram levantadas e algumas contas congeladas" são "uma grande preocupação e uma reivindicação das autoridades, [que pedem] para se libertar essas verbas para poderem avançar para a reconstrução".
"É um processo que terá de ser feito a nível da União Europeia. Portugal não está sozinho neste processo. É um processo que foi desenvolvido a nível internacional e nós temos os nossos compromissos. Obviamente que irei, em Portugal, transmitir ao primeiro-ministro estes pedidos e ver qual é a evolução futura que poderão ter", afirmou.
Emídio Sousa explicou ainda que os vários ministros venezuelanos pediram também ajuda técnica a Portugal na análise dos solos e na formação de um corpo de engenheiros para riscos sísmicos.
"Há uma plena consciência de que a Venezuela é um território sujeito a terremotos. De que isto vai voltar a acontecer e de que, por isso, todo o processo construtivo, todo o processo de análise de solos de potenciais riscos tem de ser desenvolvido", disse.
O governante sublinhou que "Portugal tem grandes competências nestas matérias", designadamente nas universidades e no Laboratório Nacional de Engenharia Civil.
"Portanto foi-nos pedida esta ajuda técnica, quer em termos de peritos, agora, para verificar os edifícios, se estão estruturalmente em condições de receber pessoas, quer em termos de formação de um corpo de engenheiros futuros na própria Venezuela, para preparar uma nova geração de engenheiros com o conhecimento que Portugal tem para trabalharem nestes riscos", revelou.
O SEC sublinhou ainda ter ficado "particularmente sensibilizado por este apelo a Portugal e às empresas portuguesas para participarem no processo de reconstrução e no processo de desenvolvimento económico que o futuro da Venezuela reclama".
"Muitas vezes pensamos na Venezuela apenas em termos de petróleo, obviamente que é uma grande riqueza natural que o país tem, mas é um país riquíssimo noutros aspetos: Tem uma costa de cerca de 3 mil quilómetros como praias paradisíacas. São praias das Caraíbas. Tem recursos agrícolas e produtividade fantástica. Tem recursos pesqueiros, florestais e minerais de diferentes qualidades", enumerou.
Segundo Emídio Sousa, a Venezuela tem um potencial muito grande e, "se esta vontade de desenvolvimento económico, for devidamente conduzida e se forem feitos os ajustes legislativos", será "muito interessante para os portugueses e as empresas portuguesas participarem neste esforço", considerou.
Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 4.118 mortos e 16.740 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.
Entre os mortos, há pelo menos 107 portugueses e lusodescendentes, e outros 57 estão desaparecidos ou incontactáveis.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
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