CATL quer instalar mais de 30 estações de troca de baterias para camiões na Europa
A chinesa CATL, maior fabricante mundial de baterias para veículos elétricos, planeia instalar mais de 30 estações de troca de baterias para camiões na Europa até 2035, apostando numa tecnologia que promete reduzir custos face ao gasóleo.
O projeto será desenvolvido em parceria com a britânica Octopus Energy, maior fornecedora de energia para consumidores domésticos do Reino Unido, através de uma empresa conjunta detida em partes iguais pelas duas companhias, segundo um anúncio conjunto divulgado na segunda-feira.
De acordo com as empresas, a futura rede poderá servir mais de 300 mil camiões elétricos e mobilizar mais de 30 mil milhões de libras (cerca de 35 mil milhões de euros) em investimento privado na Europa.
A tecnologia de troca de baterias permite substituir um conjunto descarregado por outro totalmente carregado em poucos minutos, evitando os tempos de espera associados ao carregamento rápido.
O modelo reduz também o custo inicial de aquisição dos veículos, uma vez que os operadores não necessitam de comprar a bateria, além de permitir ciclos de carregamento mais lentos, prolongando a vida útil dos equipamentos.
"Com a troca de baterias, seremos mais baratos do que o gasóleo é hoje", afirmou o fundador da Octopus Energy, Greg Jackson, citado pelo jornal britânico Financial Times.
O responsável reconheceu que os preços do gasóleo foram pressionados pela recente guerra entre Israel, Estados Unidos e Irão, mas defendeu que os custos dos camiões elétricos continuarão a diminuir nos próximos anos.
As primeiras estações deverão entrar em funcionamento no Reino Unido já no próximo ano.
O responsável pelos investimentos internacionais da CATL, Oscar Luo, afirmou que a troca de baterias pode coexistir com o carregamento ultrarrápido, outra tecnologia promovida pela empresa e pela fabricante automóvel BYD, também chinesa.
Segundo Luo, o sistema da CATL permite substituir uma bateria com mais de 500 quilowatts-hora de capacidade em cerca de cinco minutos, um tempo inferior ao necessário para abastecer um camião convencional com combustível.
A tecnologia, popularizada pela fabricante chinesa de veículos elétricos Nio, tem registado uma rápida expansão na China, embora a sua implementação internacional tenha sido mais lenta devido aos elevados custos de construção da infraestrutura necessária.
Na Europa, os veículos pesados elétricos continuam a representar uma pequena parcela do mercado. Nos primeiros três meses de 2026, os camiões elétricos corresponderam a apenas 0,9% das vendas no Reino Unido e a 4,4% no conjunto da Europa.
Na China, a CATL prevê instalar 900 estações de troca de baterias para camiões este ano, face às cerca de 305 existentes em 2025.
A empresa indicou anteriormente que pretende cobrir, até 2030, cerca de 80% dos principais corredores logísticos rodoviários chineses com a sua rede de estações.
O Governo chinês apoia a eletrificação do transporte pesado e estabeleceu como objetivo ter 1,6 milhões de camiões elétricos em circulação até 2030. Segundo as metas oficiais, os veículos elétricos deverão representar 40% das novas vendas de camiões nesse ano.