Cavaco defende menos juros e mais tempo para reembolso do resgate português

Cavaco defende menos juros e mais tempo para reembolso do resgate português

Um corte na comissão suportada pelos empréstimos do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira e a extensão do “período de reembolso” compõem a fórmula que o Presidente da República gostaria de ver aplicada numa eventual revisão das condições do resgate financeiro de Portugal. Cavaco Silva sustentou ontem à noite que os responsáveis políticos devem “continuar a defender” os interesses do país “junto dos parceiros europeus”: “Independentemente da Grécia”.

RTP /
“Há interesses que Portugal, independentemente da situação da Grécia, não pode deixar de continuar a defender”, propugnou Cavaco Silva Ricardo Castelo, Lusa

Ainda na esteira da última reunião do Eurogrupo - que colocou de parte uma extensão, a breve trecho, de novas condições aplicadas ao pacote de resgate da Grécia a outros países com programas de ajustamento -, Cavaco Silva foi ontem questionado pelos jornalistas sobre a postura de Lisboa no relacionamento com as instituições de Bruxelas. À margem da entrega dos prémios Fernando Namora e Agustina Bessa Luís, no Estoril, o Presidente da República estimou que é possível fazer mais.

Portugal, começou por responder o Chefe de Estado, “está numa situação muito diferente da Grécia”: “Deus nos livre de algum dia nos aproximarmos da situação da Grécia. Penso que a maioria dos portugueses não tem bem a noção da situação em que se encontra esse país”.

“Mas não vejo razão para que não seja reduzida a comissão que é cobrada a Portugal pelos empréstimos que recebeu do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, matéria que, aliás, penso que já tinha sido falada há algum tempo. Tal como não vejo razão para que não seja alargado o período de reembolso dos empréstimos do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira”, sugeriu. Para de imediato acrescentar que, “independentemente da Grécia, Portugal deve continuar a defender os seus interesses junto dos parceiros europeus, utilizando os seus melhores argumentos”.

“A vida na União Europeia é uma negociação permanente e eu sei isso por experiência própria. As negociações são, às vezes, muito, muito difíceis, mas nós não podemos desistir. Por isso há interesses que Portugal, independentemente da situação da Grécia, não pode deixar de continuar a defender”, insistiu.

Quanto a saber se a forma como o Governo tem gerido as negociações em Bruxelas merece nota positiva, Cavaco foi lacónico: “Não tenho informação em contrário”.
Conversas com banqueiros
Na mesma ocasião, Aníbal Cavaco Silva falaria ainda das reuniões que manteve nos últimos dias com oito presidentes de bancos. Com os quais discutiu “dois grandes tópicos”.Uma nota publicada no portal da Presidência da República indica que Cavaco Silva esteve reunido segunda e terça-feira com os presidentes dos conselhos de administração ou comissões executivas de Banco Espírito Santo, Banco Português de Investimento, Banco Comercial Português, Caixa Geral de Depósitos, Montepio, Santander-Totta, Caixa de Crédito Agrícola Mútuo e Banif.

O primeiro desses tópicos, revelou o Presidente em declarações recolhidas pela Lusa, foi “a estabilização do sistema financeiro português, um dos pilares do programa de ajustamento que Portugal acordou com a troika. O segundo foi “o contributo que a banca portuguesa pode dar para a recuperação económica”, levando em linha de conta alertas de empresários para “a dificuldade em obter crédito” e para “taxas de juro muito elevadas”.

Segundo Cavaco, os banqueiros chamados a Belém “manifestaram a vontade de trabalhar articuladamente com as autoridades portuguesas, com o Governo e com os empresários, para conseguir fazer chegar mais crédito e em melhores condições, em particular, às pequenas e médias empresas, que exportam ou produzem bens que substituem importações que Portugal tem de realizar”.

Cavaco Silva adiantou ter ficado a saber, junto dos banqueiros, “que se nota” uma quebra da procura de crédito por parte do tecido empresarial, o que se deveria “à queda da produção que se tem vindo a verificar e a alguma falta de confiança e incerteza quanto ao futuro”.

“Também nessa área penso que, depois de os ouvir, é de toda a vantagem como que estabelecer ligações quase de parceria, digamos assim, entre bancos, empresas e as autoridades para que todos remem no mesmo sentido, isto é, que o ano de 2013 seja de inversão de tendência negativa do crescimento da economia”, rematou o Presidente, indicando, por último que “foi essa a razão” que o levou a “chamar todos os presidentes dos principais bancos portugueses”.
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