CDS-PP quer ouvir responsáveis de empresa de peso na arquitectura das off-shores
Lisboa, 13 Jan (Lusa) - O CDS-PP pretende chamar ao Parlamento os antigos responsáveis da Planfin, empresa que, segundo fontes contactadas pela Lusa, desempenhava um papel de relevo na arquitectura das `offshores` do Banco Português de Negócios (BPN).
O deputado Nuno Melo entregou à presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito à nacionalização do BPN uma lista de 38 pessoas que os democratas-cristãos consideram ser da "mais elementar importância" ouvir no âmbito dos trabalhos daquele órgão parlamentar, entre as quais se encontram quatro responsáveis da Planfin: o antigo administrador, Luís Caprichoso, a sua ex-mulher, a advogada Isabel Ferreira, e os `operacionais` António Guimarães e Olga Correia.
Segundo disseram à Lusa fontes ligadas ao processo, a Planfin desempenhava um papel de relevo na arquitectura através do qual o grupo SLN/BPN controlava sociedades `offshore` e outros activos cuja posse não admitia formalmente, mas que detinha de forma indirecta.
Além disso, a Planfin Management foi alvo de buscas por parte das autoridades, no âmbito da Operação Furacão, uma mega-investigação no qual o BPN é um dos bancos suspeitos de colaborar com esquemas de evasão fiscal e outros crimes de colarinho branco.
As `offshores` encontram-se no centro dos problemas que conduziram à nacionalização do BPN, uma vez que foi através destes instrumentos - nomeadamente, do Banco Insular de Cabo Verde e de um balcão virtual a si associado - que foram ocultadas perdas de várias centenas de milhões de euros.
A Planfin, controlada pela Sociedade Lusa de Negócios (SLN), tem como designação completa Planfin - Serviços de Planeamento Financeiro Internacional, SA.
Além destes responsáveis, a lista apresentada por Nuno Melo nomeia o filho de Oliveira e Costa, José Augusto, bem como Manuel Meira Fernandes (membro da equipa de Miguel Cadilhe na SLN), Francisco Sanches e António José Duarte (antigos administradores do BPN e homens de confiança de Oliveira e Costa), e Ricardo Pinheiro e Emanuel Peixoto (quadros do BPN sob Oliveira e Costa).
A lista dos democratas-cristãos refere ainda três responsáveis do Banco Insular de Cabo Verde: José Vaz Mascarenhas (presidente), Joaquim Nunes (administrador da SLN e do Insular) e Inês Santos (responsável do banco em Cabo Verde).
O CDS-PP pretende ainda ouvir José João Alvarez e Clara Machado (responsáveis do Banco de Portugal), a par de vários antigos administradores do grupo SLN/BPN, como António Coelho Marinho, Teófilo Cádima Carreira ou Franquelim Alves, a par de responsáveis das firmas que auditaram as contas do BPN.
A lista inclui ainda três elementos da equipa de Miguel Cadilhe (Piriquito Costa, João Carvalho das Neves e Rui Pedras), o jornalista Camilo Lourenço (antigo director da revista Exame, que noticiou os problemas do BPN no início da década), o presidente da CMVM, Carlos Tavares, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos e o governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio.