Centrais a carvão, refinarias e cimenteiras. As dez instalações com maiores emissões de CO2

por RTP

A associação ambientalista Zero divulgou este domingo a lista das dez instalações com maiores emissões em Portugal. Uma dezena de instalações industriais que representam 28% do total de emissão de gases de efeito de estufa. As centrais termoelétricas a carvão de Sines e Pego, sozinhas, são responsáveis por 15 por cento do total de emissões de CO2.

Com a cimeira da ONU sobre as alterações climática a ter início esta segunda-feira em Madrid, a Zero revelou as instalações que mais contribuem para as emissões de dióxido de carbono.

No topo da lista estão as duas únicas centrais termoelétricas a carvão do país, em Sines e Pego, responsáveis por 15% do total de emissões de dióxido de carbono-equivalente.

Para a associação, os números mostram a urgência de serem substituídas e “a importância da concretização do anúncio do Governo em encerrar todas as centrais que recorrem a carvão até 2030”.

Feitas as contas, a produção da eletricidade é responsável por 20% do total de emissões do Top 10.

A refinação de petróleo ocupa o terceiro e oitavos lugares. A produção de cimento tem instalações na quinta, sexta e nona posição.

As 10 instalações com maiores emissões em Portugal

  1. Central Termoeléctrica de Sines
  2. Central Termoeléctrica do Pego
  3. Refinaria de Sines
  4. Central de Ciclo Combinado da Tapada do Outeiro
  5. Cimpor - Centro de Produção de Alhandra
  6. Cimpor - Centro de Produção de Souselas
  7. Central Termoelétrica do Ribatejo
  8. Refinaria do Porto
  9. Fábrica SECIL - Outão
  10. Central de Ciclo Combinado do Pego

A Zero revela, porém, que praticamente todas as unidades industriais diminuíram as suas emissões entre 2017 e 2018, de forma relativamente significativa.
TAP a aumentar emissões
Embora não faça parte da lista das 10 instalações que emitem mais gases com efeito de estufa, a associação ambientalista alerta também para a poluição causada pela TAP.

De acordo com a associação, a empresa aumentou em 12,6% as suas emissões de 2017 para 2018, mostrando uma tendência contrária às das unidades industriais que, apesar de mais poluentes, apresentaram reduções de emissões a partir de 2018.

"A Zero tem vindo a alertar para a subida de emissões no setor de aviação" já que, "apesar de não se tratar de uma unidade industrial, as companhias de aviação estão incluídas no comércio europeu de licenças de emissão".

De acordo com a associação, a TAP ocupava, em 2017, a oitava posição entre os maiores emissores de gases, "com 1,2 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono".

Este valor representa um crescimento de "13% para 1,4 milhões em 2018", alertou, lembrando que "a aviação é um setor extremamente beneficiado pela isenção de impostos como o IVA (bilhetes e combustível) e imposto sobre os produtos petrolíferos (ISP), contrariando as reduções de emissões que outros setores apresentam".
Tendência de descida em 2019
A Zero nota ainda, no mesmo comunicado, que, este ano, as emissões da produção de eletricidade "deverão sofrer uma forte redução", com as emissões associadas ao uso do carvão a caírem para metade.

"Apesar de uma significativa redução da produção da grande hidroelétrica (barragens) na ordem dos 40% e da manutenção da produção de outras fontes renováveis, o decréscimo de emissões nestes 10 meses do ano foi já de 3,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono", refere a Zero, citando dados das Redes Energéticas Nacionais das diferentes fontes de produção de eletricidade entre janeiro e outubro de 2019 e o período homólogo do ano passado.

"Com a queda de produção das duas centrais de carvão quase para metade, as emissões totais associadas à produção de eletricidade caíram aproximadamente 37%", congratula-se a associação ambientalista.

Esta diminuição, explica, resulta "da relação entre os preços do carvão e do gás natural", mas sobretudo "do elevado preço das licenças de emissão de carbono no mercado europeu, acrescido da taxa nacional de carbono e do imposto sobre combustíveis fósseis que começaram a ser aplicados em 2018 de forma crescente".

O comunicado da associação surge na véspera do início da reunião das Nações Unidas sobre as alterações climáticas, a COP25, que reúne em Madrid milhares de especialistas e decisores políticos.

c/Lusa
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