Centro de Geografia critica estudo da Universidade da Beira Interior sobre desenvolvimento
Lousada, 17 jan (Lusa) - Um parecer do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território considera que o recente estudo da Universidade da Beira Interior (UBI) sobre desenvolvimento concelhio "envergonha a Universidade portuguesa".
"O que apreciámos envergonha a Universidade portuguesa em geral e a Universidade da Beira Interior em particular", lê-se no parecer, ao qual a Lusa teve acesso.
O parecer, assinado pelos académicos José Rio Fernandes e Pedro Chamusca, foi elaborado a pedido da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Tâmega e Sousa, na sequência do estudo da Universidade da Beira Interior (UBI) sobre o Indicador Concelhio de Desenvolvimento Económico e Social de Portugal.
Os resultados desse trabalho foram tornados públicos no início de janeiro e colocavam vários concelhos do Tâmega e Sousa entre os 30 com piores indicadores a nível nacional.
Face ao parecer agora conhecido, os autarcas daquele território vão exigir à Universidade da Beira Interior, através de carta, "uma retratação pública que repare os danos causados na imagem da região".
"Este parecer desmonta de forma objetiva e clara todos os pressupostos do estudo da UBI", disse hoje à Lusa Jorge Magalhães, presidente daquela CIM e autarca de Lousada.
"Vamos pedir um pedido de desculpa formal. Se essa situação não se verificar, estão reunidas as condições para que se acione a universidade", insistiu Magalhães, frisando que decisão foi hoje formalmente tomada pelos 12 municípios.
Jorge Magalhães disse ter havido, no estudo da UBI, "uma precipitação muito grande e uma abordagem dos considerandos de forma arbitrária e não sustentada".
"Há uma grande indignação em toda a região", acrescentou o edil.
No parecer do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território, sediado na Universidade do Porto, os académicos José Rio Fernandes e Pedro Chamusca concluem que o estudo da UBI "confere pouca atenção a alguns temas que regra geral são considerados como importantes".
"A investigação esqueceu completamente domínios essenciais em qualquer dispositivo de avaliação de qualidade de vida, como a participação cívica, as deslocações e transportes ou elementos da sociedade de informação", acrescenta o parecer.
Para os dois académicos, no trabalho da UBI há "dúvidas que se levantam relativamente ao valor científico, qualidade e importância dos resultados de uma investigação que pretendia apresentar resultados credíveis e lógicos".
Insistindo nas observações, evidencia-se que o estudo da UBI apresenta "incongruências que evidenciam a fragilidade do trabalho".
"Parece-nos evidente que as fontes de informação que sustentam esta investigação, apesar de fidedignas e de qualidade, são manifestamente escassas", conclui-se ainda.