Cerca de 1500 habitantes de Mora "transferem-se" para Évora

Cerca de 1500 habitantes de Mora "transferem-se" para Évora

Évora, 21 Mai (Lusa) - Cerca de 1500 habitantes de Mora manifestaram-se hoje, em Évora, contra a integração do concelho no Alto Alentejo (Portalegre), com o presidente do município a dar um prazo ao governo até final de Maio para se decidir por Évora.

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A população começou por se concentrar na Praça do Giraldo, considerada a "sala de visitas" de Évora, desfilando depois pelo centro histórico da cidade até ao edifício do Governo Civil.

Empunhando bandeiras do concelho e cartazes, os populares entoaram palavras de ordem como "Évora sim, Portalegre não".

"Unidos venceremos", "os direitos do concelho de Mora pertencem-nos" e "vamos lutar todos, lutar para em Évora continuar" eram algumas das frases inscritas nos cartazes.

Tanto os promotores, como a PSP avançaram com a presença de cerca de 1500 pessoas, transportadas de Mora em mais de duas dezenas de autocarros, fretados a câmaras municipais lideradas pela CDU.

Na concentração, os populares aprovaram uma moção a entregar à Governadora Civil de Évora, Fernanda Ramos, e dirigida ao secretário de Estado Adjunto e da Administração Local, Eduardo Cabrita.

Antes do desfile, encabeçado por mulheres, até ao Governo Civil, o presidente da Câmara Municipal de Mora, José Manuel Sinogas, afirmou que a população vai dar um prazo, até final de Maio, para obter respostas do governo.

"Se até final de Maio, o problema não for resolvido, rumamos a Lisboa", prometeu o autarca comunista.

Esta foi a segunda acção de protesto da população de Mora, depois de mais de dois mil habitantes do concelho terem participado numa primeira manifestação, na vila de Mora, a 30 de Abril, onde chegaram a cortar a Estrada Nacional 2 (EN2) durante cerca de dez minutos.

Em causa está a possibilidade do concelho não integrar a Nomenclatura de Unidade Territorial III (NUT III) do Alentejo Central (Évora) e continuar a pertencer, como há vários anos, à NUT III do Alto Alentejo, conforme o actual modelo publicado em Abril em Diário da República (DR).

Segundo José Manuel Sinogas, a reivindicação de que Mora integre o Alentejo Central vem desde 1999, quando foram reestruturadas as NUT II e III.

"Entretanto, em 2007, novo processo de reajustamento das NUT III foi reaberto e a proposta inicial contemplava Mora na NUT do Alentejo Central. Foi sobre essa proposta que a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) deu parecer e não sobre a versão que, sem se saber como, colocava de novo Mora no distrito de Portalegre", explicou.

O município já apelou ao Governo para que "permita o reajustamento da situação" e corrija o "erro técnico de que enferma o documento oficial e que tem vindo a afectar Mora, política, económica, social e institucionalmente, há mais de 20 anos".

A autarquia garante que, desde a sua criação no século XIX, o concelho "sempre esteve integrado no distrito de Évora".

As diferentes forças partidárias representadas nos órgãos autárquicos de Mora, liderados pela CDU, são unânimes na defesa da integração do concelho na unidade territorial do Alentejo Central.

Tanto a gestão autárquica de maioria comunista, como a oposição socialista e social-democrata (apenas na Assembleia Municipal) contestam a integração do concelho na unidade territorial do Alto Alentejo (Portalegre).

O autarca comunista de Mora já responsabilizou o Governo e presidentes de câmara do PS no Distrito de Évora pela situação.

"Meteram-nos lá [no Alto Alentejo] por engano e agora há sete presidentes de câmara do PS que, por motivos políticos, não nos querem na NUT do Alentejo Central", disse.

A população também já apelou à intervenção do Presidente da República, do primeiro-ministro, do presidente e dos grupos parlamentares da Assembleia da República e da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) para que a sua reivindicação seja atendida.

RRL/MLM.

Lusa/Fim


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