CGTP convoca greve geral para 24 de Novembro

CGTP convoca greve geral para 24 de Novembro

A CGTP acaba de convocar uma greve geral de trabalhadores para o dia 24 do próximo mês de Novembro. A decisão foi tomada por unanimidade pelo Conselho Nacional da central em resposta às medidas de austeridade ontem anunciadas pelo Executivo Sócrates. A obstar à paralisação total de trabalhadores chegou a estar a preferência da ala socialista da Inter por uma data posterior à aprovação do Orçamento do Estado, no início de Dezembro.

RTP /
A CGTP classifica de "erradas, imorais, injustas e desumanas" as políticas que estão a ser seguidas pelo Executivo José Coelho, Lusa

A decisão da central liderada por Carvalho da Silva acaba de ser divulgada, apesar de a sua comunicação ter estado inicialmente agendada para a manhã de sexta-feira, no decorrer do encontro de delegados sindicais que, de todo o país, rumam amanhã a Lisboa para festejar os 40 anos da CGTP.

Vai ser a sexta greve geral da CGTP, depois de cinco mobilizações contra alterações da legislação laboral. É a reacção ao anúncio durante a noite de ontem do novo pacote de austeridade proposto pelo Governo e que já levara a CGTP a tecer fortes críticas por considerar que uma vez mais a solução para a crise continua a passar pela penalização dos mais pobres.

A moção será ainda levada a assembleia de dirigentes e activistas sindicais esta sexta-feira, apesar de estar confirmada pelo poder deliberativo do Conselho Nacional.

Também por unanimidade, o conselho Nacional aprovou ainda uma resolução exigindo o cumprimento do acordo que prevê a fixação do Salário Mínimo Nacional nos 500 euros em Janeiro de 2011.

CGTP quer resposta adequada ao pacote de austeridade
A CGTP prometera já ontem dar uma “resposta adequada” às medidas de austeridade anunciadas pelo Governo Sócrates, que contemplam, entre outras decisões do Executivo, o corte de 5% na massa salarial da Função Pública, congelamento das pensões em 2011 e o aumento em dois pontos percentuais do IVA.

Em declarações registadas na altura pela Antena 1, Carvalho da Silva dizia não ter dúvidas de “que vamos passar por protestos de carácter mais geral e de grande envolvimento dos portugueses” se o Governo aprovar estas medidas de austeridade.

Argumentando que a intensificação dos protestos é a única atitude que resta aos trabalhadores, o líder da CGTP admitia que esta “é a realidade em que vivemos”, mas considerava por outro lado que “não estamos condenados a ter soluções destas, umas atrás das outras, que colocam grande parte dos portugueses numa situação de amarfanhamento, de incapacidade de reagir”.

Arménio Carlos, da Comissão Executiva da CGTP, classificou de "erradas, imorais, injustas e desumanas" as políticas que estão a ser seguidas pelo Executivo: "Se o Governo avançar com novas medidas de austeridade isso quer dizer que as medidas que avançou anteriormente eram erradas para o desenvolvimento do país na medida em que levaram à retracção da economia, ao desemprego e aos cortes sociais".

Falta ao Executivo coragem para "tocar nos poderosos" e combater a evasão fiscal, lamentou o sindicalista.

UGT quer resposta à incapacidade do Governo
Também a UGT já reagiu ao novo pacote de austeridade, para acusar o Governo de incapacidade e de ter lançado contra os trabalhadores um ataque sem precedentes que poderá ter como efeito o crescimento do desemprego e arrastar o país para a recessão.

"Estas medidas demonstram a incapacidade do Governo, e em particular do ministro das Finanças, para promover uma gestão adequada da Administração Pública", apontou o secretário-geral João Proença, para quem Teixeira dos Santos fez "uma gestão cega, indiscriminada e por decreto, com total desresponsabilização dos ministérios e restantes responsáveis da Administração Pública".

A UGT vê este anúncio como "um novo PEC III" que não garante que no futuro não sejam aplicadas novas medidas para agravar ainda mais as condições de vida e de trabalho dos portugueses.

João Proença, secretário-geral da central sindical, deu então sinal de que estão em aberto todas as formas de luta e admitia esta tarde alinhar na greve geral que ainda durante a quarta-feira era já posta em cima da mesa pela CGTP.

"Num quadro de contestação, estamos abertos a todas as formas de luta, por motivos concretos, mas não contra um Governo eleito democraticamente", declarou o secretário-geral João Proença, numa conferência de imprensa em que condenou as novas medidas de austeridade apresentadas esta quarta-feira e que contemplam um corte de 5% na massa salarial da Função Pública e o congelamento das pensões em 2011.

Colocando na mesa a possibilidade de delinear formas de luta com outras forças sindicais, João Proença mostrou já a abertura da UGT para apoiar "todas as formas de lutas" que os seus sindicatos da Administração Pública venham a convocar.
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