Chaves e Verín estão a criar uma das primeiras eurocidades europeias
Francisco Ribeiro, enviado da agência Lusa
Bruxelas, 09 Out (Lusa) - Uma das primeiras eurocidades europeias está a nascer na fronteira entre o Norte de Portugal e a Galiza, num projecto inovador que envolve Chaves e Verín, duas cidades que pretendem unir esforços para melhorar a qualidade de vida.
"Este é um exemplo muito interessante da cooperação transfronteiriça de segunda geração, que envolve a gestão conjunta e partilhada de equipamentos e serviços", afirmou em Bruxelas Teresa Lehmann, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN), que se encontra na capital belga para participar no Open Days - Semana Europeia das Regiões e Cidades.
A eurocidade Chaves/Verín, pioneira na Península Ibérica e uma das primeiras a nascer no espaço da União Europeia, envolve cerca de 60 mil habitantes e terá uma área de influência onde residem cerca de 130 mil pessoas.
"Isto não nasceu do vazio, não é uma decisão política abstracta, vem do profundo enraizamento existente entre as duas comunidades", frisou a vice-presidente da CCDRN.
Nesse sentido, salientou que este projecto "é o reconhecimento de uma realidade que já existe, mas que pode ser aprofundada".
No mesmo sentido, João Baptista, presidente da Câmara de Chaves, que se deslocou a Bruxelas para apresentar este projecto inovador, salientou que ele "não se resume às palavras, está implementado no terreno".
Segundo Teresa Lehmann, esta eurocidade vai envolver áreas como transportes públicos e serviços de saúde partilhados, projectos empresariais comuns, promoção do comércio transfronteiriço e a apresentação conjunta de projectos para financiamento europeu.
Para a população, a criação deste projecto ambicioso poderá ser especialmente notado em situações como a partilha dos serviços de saúde de emergência que vão servir as duas cidades ou a abertura da Escola de Artes de Chaves a alunos do outro lado da fronteira.
O aproveitamento turístico das margens do rio Tâmega e das zonas termais existentes na região fronteiriça é outro dos objectivos definidos pelos autarcas das duas cidades.
"O objectivo central da eurocidade é melhorar a qualidade de vida das populações", afirmou Teresa Lehmann.
A responsável da CCDRN sublinhou que o projecto nasceu da "constatação de que há algumas ineficiências que são meramente burocráticas e não fazem sentido nenhum".
Para João Batista, a criação da eurocidade apresenta uma vantagem importante, que resulta num "aumento da visibilidade, que facilita a captação de novos investimentos".
A pensar nisso, os autarcas de Chaves e Verín estão a preparar a criação de um Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT), um novo instrumento da cooperação transfronteiriça na Europa.
"O projecto está em marcha e o AECT deverá estar constituído nos próximos meses", revelou João Batista.